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Coronavírus

Governo do Estado fará testes em 32 mil pessoas em casa

O governo do Espírito Santo vai testar 32 mil moradores em suas próprias casas para saber quem já está imune ao novo coronavírus. A testagem ...

Vista aérea de Vitória

Última atualização

Vista aérea de Vitória (Foto: Arquivo AT)O governo do Espírito Santo vai testar 32 mil moradores em suas próprias casas para saber quem já está imune ao novo coronavírus. A testagem acontecerá em todos os municípios da seguinte forma: 8 mil pessoas testadas a cada 14 dias.

Com esse mapeamento, o Estado poderá tomar decisões de contenção mais assertivas.

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) está em busca de um fornecedor de testes rápidos. Caso consiga logo, a ideia é já começar a testar na próxima semana.

A ideia era usar um teste chamado de Elisa – muito utilizado para doenças como o HIV –, mas fornecedores demorariam muito para entregá-lo. A opção encontrada é um tipo de teste rápido, que, segundo o secretário Nésio Fernandes, sai entre 10 e 15 minutos.

Ainda de acordo com ele, haverá um sorteio de casas por quarteirão que serão escolhidas de maneira aleatória. Ou seja: não será possível se prontificar a fazer o teste.

A reportagem apurou que não haverá uso de critério como idade, comorbidades ou histórico de viagem ao exterior, por exemplo.

Será feita uma coleta de sangue que pode apontar dois cenários dos chamados anticorpos: IgG e igM. A epidemiologista especialista em doenças infecciosas, Ethel Maciel, que é pesquisadora da Ufes e está participando do estudo com o governo do Estado, explicou a diferença.

“O IgM é o primeiro anticorpo que vai lá, vamos dizer assim, brigar com a infecção. Então, por exemplo, se a pessoa tiver com a infecção na fase aguda da doença, ou seja, nos primeiros dias da infecção, o que ela vai ter é a imunoglobulina M. Já a imunoglobulina G (IgG) é uma espécie de memória que o organismo tem depois da fase aguda da infecção da doença”.

Nésio completa: “Vamos saber quantos tiveram contato com Covid-19, investigar a força de transmissão. A aleatoriedade me permite medir a presença da contaminação do vírus em diferentes tempos. Conseguimos medir a transmissão em períodos de 14 dias.”

Este teste, para buscar os imunes, portanto, não terá como objetivo descobrir os infectados. As análises de casos confirmados do novo coronavírus no Estado continuarão sendo feitas pelo Lacen/ES (Laboratório Central de Saúde Pública do Espírito Santo) seguindo os critérios e manejos que já existem.

 (Foto: Divulgação)“Será um grande avanço”

A epidemiologista especialista em doenças infecciosas, Ethel Maciel, que é professora e pesquisadora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), destacou que esse estudo epidemiológico é um grande avanço no monitoramento da doença no Estado e na tomada de novas decisões.

A Tribuna – O que esse teste significa? É um avanço?

Ethel Maciel – Será um grande avanço. No País, apenas o Espírito Santo e o Rio Grande do Sul já anunciaram esse tipo de estudo. Se você tem uma estimativa de prevalência de infectados pela doença, vamos conseguir saber em que ponto da curva de achatamento estamos. Nós sabemos pela literatura que quando há 50% de infectados na população, chegou a um ponto do platô (ponto que estabiliza).

Então, a gente precisa saber nesse momento se temos, por exemplo, 5%, 10%, 15% de infectados, ou seja, como que nós estamos. Isso vai ser mais um parâmetro para monitorar a epidemia.

Tem um prazo para confirmar ou não essa doença?

Esse teste tem o que a gente chama de memória imunológica. Então, mesmo que uma pessoa tenha tido em algum momento a doença, o teste vai captar. Como estamos no início da epidemia aqui, as pessoas estão com essa memória imunológica.

Como será o sorteio?

Estamos planejando, mas é como se a gente tivesse fazendo aquela pesquisa eleitoral, sorteando pessoas e locais. É uma técnica de estudos epidemiológicos para entender como a epidemia se distribui na população e estudando uma amostra conseguir estimar a prevalência na população.

Vamos pensar em uma casa com cinco pessoas. Será feito um sorteio naquele local?

Vamos sortear aleatoriamente. Estamos desenvolvendo a técnica ainda para ver quais pessoas deverão ser testadas, estamos na fase de definir os detalhes do protocolo. Em geral, quando tem alguém doente os outros também ficam doentes. Mas o que a gente precisa saber do ponto de vista da saúde pública é como o vírus se espalhou.

Se nesse imóvel sorteado uma pessoa apresentou o sintoma, ela será testada?

Não necessariamente, pois como é aleatório, não iremos escolher. Além disso, existem os casos assintomáticos que também são importantes na transmissão da doença.

O que vai acontecer com quem testar positivo?

A maioria das pessoas, cerca de 90%, vai ter uma doença leve. Esse estudo vai servir como um indicador para o governo, para tomar decisões. Por isso é importante que as pessoas participem, é uma forma de ajudar o próximo e mostrar mais uma vez nossa solidariedade como sociedade.

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