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Há 20 dias, Petrobras já havia sido alertada pelo MPT sobre riscos de Covid-19 em plataformas

Mesmo antes de serem confirmados casos de contaminação de Covid-19 em plataformas de petróleo, a Petrobras já havia sido alertada e interpelada pelo ...

Última atualização

Mesmo antes de serem confirmados casos de contaminação de Covid-19 em plataformas de petróleo, a Petrobras já havia sido alertada e interpelada pelo Ministério Público do Trabalho do Espírito Santo sobre riscos de contaminação.

Ainda no final de março, a procuradora do trabalho Janine Milbratz Fiorot diz num despacho enviado à Petrobras que há uma “gravidade de fatos” relatados pelo SINDIPETRO (Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo) sobre a situação dos trabalhares de plataformas diante a pandemia do novo coronavírus.

Dentre as denúncias destacadas pela procuradora, estava a de que todos os “trabalhadores próprios e terceirizados continuam sendo transportados em ônibus lotados, os refeitórios continuam concentrando as refeições em um único horário, causando uma aglomeração entre os trabalhadores, além de ficarem com os utensílios expostos e, nem mesmo há a disponibilização de álcool em gel para a higienização dos trabalhadores.”

Como se sabe, a Petrobras paralisou as operações de duas plataformas de petróleo após a contaminação de trabalhadores pela Covid-19. Segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), há 47 casos confirmados entre os tripulantes das unidades até o momento. Uma das plataformas está sob responsabilidade da holandesa SBM Offshore e fica no campo de Cachalote, no litoral sul do Espírito Santo. O despacho do MPT, no entanto, foi direcionado à Petrobras. Um hotel na Serra e outro em Vitória estão sendo utilizados para a quarentena de casos confirmados, suspeitos e não contaminados.

A procuradora quis saber da Petrobras se haviam trabalhadores alocados nas plataformas com suspeita de estarem infectados, se havia alteração de equipes atualmente alocadas nas plataformas, se houve a redução de trabalhadores alocados e se haviam trabalhadores que laboram nas respectivas plataformas sem estarem submetidos ao regime de embarque (retorno à casa de forma diária). E, caso positivo, apontasse as medidas de redução ou flexibilização de jornada adotadas.

E mais: o MPT quis saber se foi implementado turnos de revezamento para utilização do refeitório, se há equipe médica nas plataformas e, por fim, se o fluxo aéreo continuava em operação no antigo Terminal do Aeroporto de Vitória.

 (Foto: Agência Petrobras)

O outro lado

A reportagem enviou o despacho para a Petrobras, que disse que desde o início da pandemia vem adotando medidas preventivas em linha com as recomendações de autoridades sanitárias e órgãos reguladores.

“Um comitê de crise avalia diariamente a evolução do quadro no país e nas unidades, decidindo por novas ações preventivas. Algumas das medidas já adotadas foram: adoção do teletrabalho em todas as atividades administrativas e para as pessoas no grupo de risco em qualquer atividade; redução do efetivo nas unidades operacionais ao mínimo necessário para a operação segura em atividades essenciais; aquisição de testes para casos suspeitos; isolamento monitorado pré-embarque; e monitoramento contínuo de todos os casos suspeitos e confirmados”, diz a nota.

A companhia disse ainda que monitora os casos suspeitos, dentro ou fora de suas unidades, desde o primeiro reporte de sintomas. “Tomamos todas as medidas preventivas para evitar o contágio nesses casos, além de orientar o colaborador e seus familiares por meio das nossas equipes de saúde, seguindo as definições das autoridades sanitárias. Quando esses casos ocorrem nas unidades offshore, é feito o desembarque imediato.”

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