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Coronavírus

Indicação de cloroquina em Aracruz no primeiro dia de sintoma

A Prefeitura de Aracruz começou a indicar o uso de hidroxicloroquina e outras quatro substâncias para os primeiros dias de tratamento de pessoas que ...

Hospital São Camilo, em Aracruz, vai seguir indicação prevista no protocolo ambulatorial elaborado pela prefeitura.

Última atualização

A Prefeitura de Aracruz começou a indicar o uso de hidroxicloroquina e outras quatro substâncias para os primeiros dias de tratamento de pessoas que testaram positivo para coronavírus ou que apresentam sintomas claros da doença, como falta de paladar e dificuldade respiratória.

A indicação faz parte do protocolo ambulatorial elaborado pela prefeitura e foi divulgado na sexta-feira (19) junto com um Plano de Contingência. O protocolo deverá ser seguido por médicos das unidades públicas de saúde e do Hospital São Camilo no município.

Conforme o protocolo, o paciente que se enquadrar no perfil estabelecido, não havendo contraindicação ao uso das substâncias depois de realização de exames, como eletrocardiograma, receberá as medicações gratuitamente para uso em casa, após prescrição médica.

Hospital São Camilo, em Aracruz, vai seguir indicação prevista no protocolo ambulatorial elaborado pela prefeitura. (Foto: Arquivo/AT)

O paciente também será acompanhado por telefone pela Central de Monitoramento, criada junto com o protocolo, e passará por novos exames durante o tratamento.

Além da cloroquina, será indicado ainda o uso de azitromicina, zinco, ivermectina e corticoterapia.

“Não vamos distribuir kits com essas medicações. É um protocolo ambulatorial. Há critérios, e os pacientes recebem as medicações após a realização de exames e da prescrição médica”, explicou a secretária municipal de Saúde de Aracruz, Clenir Avanza.

Segundo a prefeitura, o protocolo foi elaborado depois de ser testado em 20 pacientes positivos para Covid-19, homens e mulheres, com idades entre 27 e 68 anos.

Mas a prefeitura reconhece que não há comprovação da eficácia. “Observamos que 15 dessas 20 pessoas, depois do 14º dia, não apresentavam sintomas, e nenhum teve reação a esses remédios. Os outros ficaram mais dois ou três dias, e ficaram bem. Ninguém foi hospitalizado”, contou o prefeito Jones Cavaglieri.

“Se melhoraram ou não por causa das medicações, não sabemos, porque não há comprovação da eficácia, mas se não trouxer benefícios, também não vai trazer malefícios, pois esses pacientes terão acompanhamento”, completou.

O prefeito revelou que todos os 20 leitos destinados a pacientes com Covid-19 no município estão ocupados no momento. “Por isso, tomamos essa decisão”, disse.

SAIBA MAIS

Só com autorização do paciente

Protocolo ambulatorial

  • A prefeitura de Aracruz divulgou na sexta-feira (19) um protocolo ambulatorial que passou a ser seguido no município contra a Covid-19.
  • O protocolo será adotado após prescrição médica para pacientes com suspeita de coronavírus ou que testaram positivo para a doença.
  • Antes, os pacientes também serão submetidos a exames, como eletrocardiograma. Os que apresentarem contraindicações às substâncias não participarão do processo indicado.
  • O tratamento usa a hidroxicloroquina já a partir do primeiro dia dos sintomas.
  • Além da cloroquina, as substâncias azitromicina, zinco, ivermectina e corticoterapia também serão usadas a partir do 1º dia de sintomas.
  • A ivermectina é uma substância usada, por exemplo, para tratamento contra piolhos e vermes.

Não há eficácia, afirma governo

A decisão da Prefeitura de Aracruz de indicar a utilização de hidroxicloroquina para pacientes com coronavírus que não estejam hospitalizados veio dois dias depois de a Organização Mundial da Saúde (OMS) suspender, pela segunda vez, os testes com a substância, alegando que não encontrou benefícios em seu uso contra a Covid-19.

Usada para tratar doenças autoimunes (em que o sistema imunológico do corpo ataca células saudáveis) e malária, a cloroquina aumenta o risco de complicação cardíaca, segundo estudos científicos.

O governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (Sesa), reforçou que não há comprovação da eficácia da utilização da cloroquina contra a Covid-19.

A própria Prefeitura de Aracruz reconhece e, por isso, o paciente terá de assinar um termo para participar do tratamento proposto, que utiliza ainda as substâncias zitromicina, zinco, ivermectina e corticoterapia.

A prefeitura garante, porém, que os médicos não serão obrigados a prescrever as substâncias.

“Até o momento, não há evidências que recomendem o uso da cloroquina em pacientes com quadro leve. Sua prescrição deve ser realizada com esclarecimento livre e consentido por parte do paciente sobre os riscos e efeitos adversos potenciais nos pacientes”, afirma a Sesa, em nota.

“O uso da cloroquina não foi suspenso pelo Estado. A Sesa orienta aos municípios que adotem medidas e protocolos de tratamento baseados em evidências e com foco na segurança do paciente”, completa.

Presidente da Associação Médica do Espírito Santo (Ames), Leonardo Lessa diz que o paciente precisa estar informado sobre o tratamento.

“O uso ou não da cloroquina é um direito do médico e do paciente. Não vejo problema nesse protocolo (de Aracruz), desde que o médico tenha liberdade na prescrição. É preciso explicar para o paciente que não existe eficácia comprovada e que ele deve assinar termo de responsabilidade”, destacou.
 

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