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“Legado de amor”, diz filho de casal que morreu de Covid

“O amor deles foi tão forte que nem a morte foi capaz de separar eles”. O desabafo emocionado é do estudante Hebert Borchardt Lopes, de 18 anos, que ...

“Legado de amor”, diz filho de casal que morreu de Covid
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Sandro e Elizete estavam internados em tratamento contra o vírus há mais de uma semana (Foto: Acervo Pessoal)

“O amor deles foi tão forte que nem a morte foi capaz de separar eles”. O desabafo emocionado é do estudante Hebert Borchardt Lopes, de 18 anos, que perdeu os pais por conta da Covid-19 em um intervalo de três horas.

O fotógrafo Sandro Roberto Lopes, 57, e a professora Elizete Borchardt Lopes, 42, estavam internados no Hospital Geral de Linhares (HGL), em Linhares, no Norte do Estado, e morreram na manhã de terça-feira (20).

Sandro foi o primeiro a ser internado. Ele deu entrada na unidade no dia 9 de abril – um dia após o filho completar 18 anos – sentindo febre, dor no corpo, tossindo e com falta de ar. No dia seguinte, precisou ser intubado. Com os mesmos sintomas, Elizete deu entrada no hospital na terça-feira (13).

No entanto, a infecção pelo coronavírus se agravou. Sandro não resistiu e morreu às 8h20, de terça (21). Por volta de 11h40, Elizete também faleceu por conta do agravamento da doença. “É algo muito duro, a ficha até agora não caiu direito”, revela Hebert.

O estudante conta que o pai era fotógrafo há mais de 10 anos, mas por conta da pandemia, estava trabalhando como motorista de aplicativo, pois os eventos estavam suspensos.

Segundo ele, a internação dos pais foi uma surpresa. Sandro já estava no fim do período de quarentena em casa, quando os sintomas da Covid-19 se agravaram e o levaram para a UTI. “Ele já tinha marcado algumas corridas para quando voltasse a trabalhar, mas começou a dar falta de ar e ele foi internado”.

Elizete, por sua vez, tinha o sonho de ser professora e conseguiu realizá-lo, após muito trabalho. Hebert conta que a mãe trabalhou por anos, como faturista, em dois hospitais de Linhares, mas se formou na faculdade e se tornou professora, em 2016.

Após se formar, faltava iniciar a carreira no magistério. Ela decidiu trabalhar como autônoma para concretizar esse sonho. “Ele trabalhava vendendo tapetes. Era uma forma dela conseguir mais tempo para focar nos estudos para concurso e se manter também”, revelou o filho.

E deu certo, após atuar em um cargo de designação temporária em Linhares, Elizete foi aprovada em um concurso para professora na cidade vizinha, Rio Bananal. Ela tomo posse do cargo em fevereiro de 2020 e começou a atuar em sala, até a chegada da pandemia e a migração para as aulas online. “Fazia pouco tempo que ela tinha realizado esse sonho dela. É muito complicado”, lamenta Hebert.

O estudante conta que a relação dos pais sempre foi muito boa e o casal era visto como pessoas alegres. A mãe, segundo ele, estava sempre sorrindo, independente do que estava acontecendo. Já o pai, era extrovertido e brincava com as pessoas mesmo aquelas que ele não conhecia, como forma de quebrar o gelo e ganhar a amizade delas.

“Ficam as lembranças boas. Eles sempre me apoiavam muito. Os meus sonhos eles sempre me ensinaram a ir atrás sempre e não me abater. Eles deixam um legado de amor, apesar de todos os problemas, é algo que sempre prevaleceu no relacionamento deles. Eles sempre me ensinaram a ter respeito pelas pessoas, independente de como elas me tratassem. O amor sempre prevalece e derruba qualquer barreira”, afirma o estudante.

Outro ensinamento do pai foi para o filho ser forte e é nesse ensinamento que Hebert diz se apegar de agora em diante para continuar a vida. “Agora tenho pessoas que dependem de mim”, diz ele, que conclui: “Quero dar muito orgulho para eles. Vou dar meu máximo para orgulhar eles”.
 

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