
Em níveis nacionais, dados do portal Covid-19 Brasil mostram que a doença no País está concentrada na faixa etária que vai de 20 a 49 anos, com números próximos de 500 mil casos.
Esse quantitativo gera um alerta sobre a população de meia idade. A pneumologista Margareth Dalcolmo, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), já havia alertado em março, que o País “rejuvenesceria” a doença, como resultado da combinação da pirâmide etária com o baixo distanciamento social.
A infectologista Martina Zanotti explicou que “a Covid-19 pode afetar qualquer faixa etária, não somente idosos”. E que jovens também podem ser acometidos pelas formas graves da doença, embora menos frequente.
“Os idosos, por já terem uma imunidade prejudicada e por terem doenças de base com mais frequência, costumam ter mais prejuízo quando infectados”, disse.
Ela explicou que um dos motivos de atingir qualquer idade é que as formas graves da Covid-19 são as que têm um grande acometimento pulmonar. Por isso, a doença tende a ser mais grave em pessoas com doenças pulmonares pré-existentes.
Doutora e Pós-doutora em Epidemiologia, a professora da Ufes Ethel Maciel reforça que esses índices sobre as pessoas de meia idade têm explicação na pirâmide etária brasileira.
“Na Europa, tem mais gente na faixa etária mais idosa. E a estrutura etária no Brasil concentra a maior parte na faixa etária entre 30 e 49 anos. Então, como tem mais pessoas nessa faixa etária, que é um grupo que circula mais, tem pessoas dessas idades com mais risco de contaminação”.
Mas é diferente, ressalta Ethel, quando analisam-se os óbitos: “Aí a maioria das mortes no Estado está acima de 50 anos. Só 13% são abaixo disso. A morte tem a ver com as comorbidades que proporcionam uma piora nos casos”.
Já nos casos de internados, destaca, os abaixo de 50 anos somam 37%. “Dos internados até a última sexta-feira, 55% tinham problemas de saúde”, compara.