
Relatos de persistência dos sintomas e sequelas são comuns entre pacientes e já motivaram a criação de centros de reabilitação específicos para essas pessoas – o que mostra que ser um “recuperado” do coronavírus não significa necessariamente estar curado. Mas o trabalho de agora é o primeiro a traduzir em números esse impacto de longo prazo.
Os pesquisadores, liderados por Chaolin Huang, do Hospital Jin Yin-tan – de Wuhan, onde surgiu a doença –, avaliaram 1.733 pacientes diagnosticados entre janeiro e maio com acompanhamento entre junho e setembro passados.
A maioria (76%) ainda apresentava pelo menos um sintoma após seis meses do diagnóstico. Os mais comuns foram fadiga e fraqueza muscular (63% dos pacientes), seguidos de dificuldades para dormir (26%). Ansiedade e depressão foram reportados por 23% dos pacientes.
Aqueles que ficaram mais gravemente doentes no hospital apresentaram com maior frequência, depois de seis meses, a função pulmonar prejudicada e anormalidades detectadas em imagens do tórax, o que poderia indicar uma lesão de órgão.
“Nossa análise indica que a maioria dos pacientes continua a viver com pelo menos alguns dos efeitos do vírus após a alta hospitalar”, disse Bin Cao, do Centro Nacional de Medicina Respiratória, que orientou o estudo.
Para o pneumologista brasileiro Carlos de Carvalho, mais trabalhos como este vão ajudar não somente a orientar a reabilitação de pacientes como a tratar os que precisam ser hospitalizados.