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Coronavírus

Mais de 180 pessoas de comunidade religiosa isolada já pegaram coronavírus

A comunidade religiosa Tabernáculo Vitória, em Ecoporanga, no Noroeste do Estado, tem 188 membros que já foram infectados pelo novo coronavírus. O ...

Comunidade Tabernáculo Vitória, em Ecoporanga.

Última atualização

Comunidade Tabernáculo Vitória, em Ecoporanga. (Foto: Divulgação)A comunidade religiosa Tabernáculo Vitória, em Ecoporanga, no Noroeste do Estado, tem 188 membros que já foram infectados pelo novo coronavírus. O número equivale a 70% da população, que conta com 271 membros.

De acordo com o secretário de Saúde do município, dentre os que testaram positivo, 30 apresentam sintomas leves e apenas uma pessoa precisou de internação.

“De todos, apenas um teve internamento e agora passa bem. A partir daí a gente desconfiou e resolveu fazer a testagem. Vinte profissionais foram lá ontem (segunda-feira). Trinta apresentam sintomas leves, a maioria tem sintomas gripais. Um ou outro está com dor no corpo ou diarreia. Eles vão passar por avaliação médica e vão receber medicação precoce que é o que a gente já vem fazendo há bastante tempo aqui”, disse Ricardo Abreu Maia.

Os membros da comunidade foram submetidos ao teste rápido fornecido pelo governo do Estado e que aponta quem já teve contato com o vírus. Os integrantes da comunidade que testaram negativo serão submetidos a novos exames nesta terça-feira (25).

“Estamos aguardando a regional de São Mateus da Secretaria de Estado da Saúde chegar para testar os negativos e saber se há algum falso negativo. Dos 271 indivíduos, apenas um adulto, que está em viagem, e três crianças menores de 2 anos não foram testados”, afirmou.

Os infectados foram orientados a permanecerem em isolamento pelo período de 7 a 8 dias. Mas, segundo o secretário, a comunidade toda decidiu ficar isolada nesse período.

“Eles mesmos resolveram fazer o isolamento de toda a população. O prazo de 7 a 8 dias foi definido pelo inquérito sorológico onde identificamos a data de início dos sintomas. Eles estão colaborando porque prestam serviços para a cidade. Todos os infectados assinaram termo de responsabilidade”, completou Maia.

O secretário comparou o caso da comunidade à cobertura vacinal, já que a maioria da população foi exposta ao vírus.

“Eles têm um templo, se alimentam juntos, as crianças brincam todas juntas e apenas as casas são separadas. É uma comunidade fechada, que vive isolada, apesar de alguns membros saírem para trabalhar. Pela forma de vida deles, a gente acredita que foi uma carga viral baixa que se propagou rapidamente entre eles. Acredito que eles adquiriram imunidade de rebanho populacional, que acontece com vacina ou exposição do indivíduo ao vírus. A vacina é isso, expõe o individuo à carga viral baixa para adquirir a imunidade”, disse o secretário.

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde informou que está acompanhando o caso. “A Secretaria da Saúde (Sesa), por meio da Superintendência Regional de Saúde de São Mateus, informa que está acompanhando o caso junto à Vigilância Epidemiológica Municipal, que é a responsável pelo monitoramento dos casos. Além de prestar orientações técnicas, a Sesa está fornecendo kits para coleta e realização de exames”, diz o texto enviado pela assessoria.

Ao Tribuna Online, o presidente da comunidade, que preferiu não se identificar, afirmou que todos os infectados com o vírus passam bem. Ele não quis dar detalhes e pediu que as dúvidas fossem esclarecidas com a Secretaria de Saúde do município.

Tabernáculo Vitória

O Tabernáculo Vitória é uma religião que prega o isolamento em comunidade, de Ecoporanga, no Norte do Estado, por acreditar que o dia do juízo final está próximo.

A seita conta com 271 seguidores, sendo que todos trabalham para ajudar no sustento. Segundo a organização, as pessoas precisam vender todos os bens e entregar o dinheiro e o salário mensal para a coordenação.

A comunidade começou em 2008 e não era permitida a visitação de familiares. Depois, essas visitas começaram a ser liberadas.

O promotor do Juizado da Infância e Juventude de Vitória, Jerson Ramos, que investigou denúncias do início da comunidade (como pessoas que estavam lá obrigadas), disse que todos no local acreditam que o líder é o representante de Deus na Terra e que todos os desejos e sonhos dos fiéis têm de passar pela aceitação dele.

Saiba mais

Início do Tabernáculo

  • O pastor Ireneu Vieira Lopes é responsável pela igreja desde 1979, mas só em 1982 se separou da denominação Tabernáculo da Fé, criando a seita Tabernáculo Vitória.
  • Até  2008, a igreja tinha sede no bairro Santa Teresa, região da Grande Santo Antônio, em Vitória.
  • Hoje, os seguidores do pastor vivem numa comunidade em Ecoporanga, no Norte do Estado, chamada Recanto das Águias. As casas são simples, e há alguns anos não tinham reboco e são divididas por duas famílias.

Crença

  • No local, eles se preparam para o dia do juízo final, que acreditam estar próximo. Para isso, decidiram viver isolados em uma espécie de condomínio fechado. Antes, era difícil os parentes visitarem, mas agora se tornou mais fácil.
  • Para fazer parte da igreja, os fiéis se desfazem de seus bens e entregam ao pastor, e todo salário também é entregue mensalmente.
  • Denúncias foram investigadas pelo Ministério Público sobre a seita. Processos foram feitos para tentar reaver os bens perdidos dos fiéis.
     

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