
Demonstrando preocupação, o presidente do Sindicato dos Médicos do Estado (Simes) e vice-presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), Otto Fernando Baptista, disse que isso acende uma luz vermelha.
Na última segunda-feira, o painel Covid-19 mostrava que 171 profissionais da saúde foram infectados no Estado. Dois dias depois, o número saltou para 284, o que representa um aumento de 66%, segundo lamentou Otto Baptista.
Para ele, o quadro é preocupante e pode aumentar, considerando a sobrecarga de trabalho desses profissionais, entre outros problemas.
Ele voltou a reivindicar um revezamento entre os médicos que estão atuando na linha de frente. “A troca de equipe deveria acontecer a cada 15 dias e quem estivesse saindo deveria fazer o teste para iniciar a quarentena por 14 dias”.
Ele também denunciou a falta de Equipamento de Proteção Individual (EPI), como máscaras, gorros, óculos e álcool em gel.
“O fato de médicos e enfermeiros estarem se contaminando de forma vertiginosa nos leva a concluir que estão havendo falhas”.
Ainda segundo Otto Baptista, muitos profissionais da saúde estão com depressão e síndrome do pânico e, por conta disso, têm se afastado do trabalho, provocando uma sobrecarga aos que continuam na ativa, uma vez que não há reposição de novos profissionais.
“A gente não quer de maneira alguma anunciar a morte de um profissional médico ou outro profissional da saúde, mas se isso acontecer os responsáveis serão responsabilizados civil e criminalmente”, avisou.
O secretário da Sesa, Nésio Fernandes, disse que a infecção desses profissionais está relacionada a múltiplos fatores. “A exposição dos trabalhadores da saúde a pessoas contaminadas é maior nas que cuidam da Covid. É natural que em determinado momento nessa exposição que essas pessoas sejam infectadas. A probabilidade de acontecer num hospital é maior que na sociedade”.
Sobre EPIs, ele garantiu que o Estado não tem problema crítico de falta desses equipamentos.
“Tem uma série de situação que é do comportamento, do uso do equipamento, que determinam a possibilidade de se infectarem com maior ou menor possibilidade”.