No Espírito Santo, quase 30 mil pessoas receberam as duas doses da vacina contra a Covid-19 até a tarde desta terça-feira (2), segundo os dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). No entanto, especialistas alertam que essa parte da população ainda precisa seguir os protocolos sanitários, pois ainda há o risco de transmissão e infecção pelo coronavírus.
A pós-doutora em Epidemiologia e professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Ethel Maciel, destaca que a imunidade causada pela aplicação da vacina não é instantânea. Esse processo leva alguns dias para ser formado no organismo.

Após a aplicação da segunda dose no intervalo de 12 semanas (três meses), a eficácia da vacina da farmacêutica AstraZeneca, desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford, sobe para 82,4%. A segunda dose da Coronavac é aplicada 28 dias após a primeira e a eficácia global (para todos os casos) é de 50,38%, nos casos leves é de 78% e 100% nos casos graves.
A especialista ainda ressalta que para o controle da doença é necessário uma cobertura vacinal maior, em torno de 70% da população, para que se tenha a chamada imunidade coletiva.
“É importante que não só eu ou você estejamos vacinados, é importante que tenha esse número acima de 70% vacinado para que a gente consiga desacelerar o vírus e controlar a doença”, afirma Ethel.
Além do tempo para que a vacina complete o ciclo de ativação da imunidade no corpo, o infectologista Paulo Peçanha enumera mais um fator para que as pessoas, mesmo vacinadas com uma ou duas doses do imunizante, sigam as recomendações sanitárias.

O médico ainda ressalta que a vacinação dos grupos prioritários está devagar. “O percentual de pessoas não vacinadas significa que, apesar da vacina já existir, não estamos tendo a quantidade de vacinas necessárias para o enfrentamento da pandemia. Existe a vacina, mas no Estado e no Brasil o número de pessoas vacinas vai subindo muito lentamente”.
Dessa maneira, segundo ele, é importante que todos mantenham os protocolos sanitários para evitar o contágio e a transmissão do vírus, independente de ter tomado a vacina ou não.
“Todos devem estar preocupados com a utilização da máscara, evitar aglomeração, manter distanciamento e os cuidados de higiene, mesmo vacinado ou não, mas sobretudo quem ainda não foi vacinado. Essa é a forma de evitar a transmissão do vírus para quem não está vacinado ou parcialmente vacinado”, frisou o infectologista.
