
A resposta foi enviada por meio de áudio após Jonas, que é advogado, recomendar a duas pacientes, no Facebook, que façam boletim de ocorrência e acionem o Ministério Público quando o hospital ou médico negar a administração de cloroquina.
“O paciente ou a família tem o direito de exigir a ministração do medicamento mediante assinatura de termo de responsabilidade”, orientou o vice-prefeito dentro dos posts das mulheres que reclamaram que o Hospital do Aquidaban não deu a medicação aos seus parentes.
No áudio, Thompson afirma que a cloroquina existe no hospital e está disponível para os médicos. No entanto, afirma: “Eu não vou prescrever cloroquina na UTI pra ninguém em hipótese alguma, porque a medicina que eu pratico não é a medicina do Bolsonaro, é baseada em evidências científicas”.
O coordenador da UTI disse ainda que cabe somente ao médico prescrever ou não o remédio. “Juiz não prescreve, advogado não prescreve, presidente da República não prescreve”, defendeu.
Garantiu também que não volta atrás em sua posição: “Pode ir quem quiser lá. Policial, juiz, promotor, procurador da república, STF. Ninguém, repito, ninguém exercerá o poder sobre minha caneta prescritória. A prescrição é ato médico. Eu não abro mão disso. Não irei ceder a pressões políticas”, afirmou Thompson.
Ele disse que fez pesquisa aos profissionais da enfermaria e que nenhum deles irá prescrever a cloroquina. “O que a população pode fazer, se quiser, pode solicitar aos gestores que nos demitam (risos). É um caminho. Faz uma corrente. Os políticos podem solicitar nossa demissão”.
Vice afirma que não pressionou ninguém
O vice-prefeito Jonas Nogueira, que é pré-candidato a prefeito, reforçou que em nenhum momento pressionou o hospital para que usasse a cloroquina ou que tenha feito indicação de medicamentos, apenas prestou orientação jurídica, por ser sua área, às pacientes.
“Não fiz contato com médico ou hospital para pressionar o uso da cloroquina, pois essa não é minha área, embora seja defensor. Não sou médico, mas tenho condições de avaliar e especialistas do mundo inteiro estão defendendo o medicamento”, justificou.
Para Jonas Nogueira, o coordenador da UTI interpretou mal seu posicionamento. “Acho que talvez ela tenha se sentindo ofendido ou atingido e me enviado aquele áudio, inclusive nada elegante”, comentou.
Na avaliação do vice-prefeito, o áudio do médico foi esclarecedor: “Até então, em nenhum momento, o hospital ou médico tinha vindo a público se posicionar, para dizer que não usam e não vão usar cloroquina”.
Hospital diz que faltam evidências científicas
O Hospital Materno Infantil Francisco de Assis (Hifa), que administra o Hospital do Aquidaban, se posicionou sobre o episódio envolvendo o vice-prefeito e o coordenador da UTI.
A instituição afirmou que segue as recomendações da Sociedade Brasileira de Infectologia, Intensivista e de Pneumologia, assim como os protocolos dos órgãos competentes e ressalta que não há evidências de que o medicamento citado reduza a mortalidade, o tempo de internação e a melhora do paciente.
Na nota, o hospital afirma que segundo a direção técnica da unidade provisória Covid-19, localizada no Hospital do Aquidaban, atualmente não há medicações com efeito antiviral específico aprovada no tratamento contra a doença, mas ressalta que todos os cuidados necessários são adotados com a finalidade da recuperação completa do paciente.
O hospital finaliza garantindo que o tratamento tem sido realizado de acordo com as recomendações atuais e com base em evidência científica e seguem as diretrizes vigentes.