A notícia de que a vitamina D poderia ser uma aliada para evitar o novo coronavírus está preocupando os médicos. Isso porque, além de não combater a Covid-19, o excesso da vitamina pode piorar ainda mais a saúde de quem contrai o vírus, já que prejudica os rins e leva a desidratação, fadiga e confusão mental.
O uso de suplementação chegou a ser defendida pela Associação Brasileira de Harmonização Orofacial, que inclusive prescreveu dosagens necessárias para aumentar a imunidade do organismo.
Ao tomar conhecimento de que a vitamina D está sendo sugerida no combate ao vírus, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) emitiu uma nota de repúdio às orientações.
“Não existe, até o presente momento, nenhuma indicação aprovada para prescrição de suplementação de vitamina D visando efeitos além da saúde óssea”, ressaltou o texto assinado por médicos da SBEM.
A informação de que o uso de vitamina D pode prevenir o novo coronavírus começou a circular na internet antes mesmo da pandemia chegar ao País. Na época, o Ministério da Saúde emitiu uma nota dizendo que a informação era falsa.
A questão, no entanto, ganhou ainda mais força depois que professores da Universidade de Turim, na Itália, reuniram documentos mostrando que pacientes com a doença apresentavam deficiência de vitamina D.
Diante disso, eles apresentaram estudos que apontavam benefícios da suplementação, como redução do risco de infecções de origem viral.
A presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia no Estado, Queulla Garret, ressaltou que não há estudo científico que comprove a eficácia da vitamina D para garantir imunidade, ainda mais contra o coronavírus.
“Pacientes com obesidade e diabetes já apresentam ausência de vitamina D, mas por conta da comorbidade, o que não indica que ela é capaz de conter o vírus”, afirmou.
Riscos
A especialista, inclusive, diz que altas doses de vitamina podem ser ainda mais prejudiciais para quem é infectado pelo coronavírus.
“Pode gerar insuficiência renal aguda, o que piora ainda mais a situação do paciente que está com Covid. Quem tem o vírus, precisa estar com as funções plenas para não ter a situação agravada”, disse.
“Não é isenta de problemas”, diz secretário do governo
“Vitamina D não é isenta de problemas”. A afirmação é do secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Denizar Vianna, ao ser questionado sobre o uso da suplementação na prevenção ao novo coronavírus.
Em coletiva de imprensa, o secretário do governo federal fez um alerta para o uso indiscriminado da vitamina.
“A vitamina D, ao contrário de outras, como a vitamina C, que é hidrossolúvel, se o indivíduo fizer uso de quantidade excessiva de vitamina C, ela é eliminada pela urina. Mas isso não acontece com a vitamina D. Ela pode se acumular no organismo. Essa é uma preocupação importante para a população”, afirmou.
O secretário ressaltou que a vitamina D pode ser absorvida naturalmente com uma alimentação adequada.
“Se há uma carência, o médico vai orientá-lo em relação a isso. A própria exposição ao raio solar faz parte da ativação do metabolismo da vitamina D”, disse.
Saiba Mais
Tomar vitamina D protege contra o novo coronavírus?
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Não. Não há comprovação científica de que a vitamina tenha eficácia para aumentar a imunidade, ainda mais se tratando da Covid-19, que é uma doença nova.
O que a vitamina previne?
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Os estudos mais embasados apontam que a vitamina D é boa para a saúde dos ossos.
Há risco em tomar vitamina D em excesso?
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Sim. Pode levar ao aumento de cálcio do sangue, favorecendo a formação de cálculos nos rins e podendo causar até perda da função renal, confusão mental, desidratação, fadiga, fraqueza muscular e náuseas.
Em quais situações se deve tomar vitamina D?
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Deve ser tomada com prescrição de um médico ou nutricionista.
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Costuma ser recomendada para pacientes com osteoporose e obesidade.
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A recomendação para ter bons níveis de vitamina D no organismo é tomar 20 a 30 minutos de banho de sol por dia. Em alimentos, ela está presente em óleos e peixes.
Quais alimentos fortalecem a imunidade?
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O ideal é ter uma alimentação variada, com consumo de frutas, legumes e verduras. As pessoas não devem deixar de lado as proteínas, porque elas são componentes das células de defesa do sistema imunológico.
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Nada que for ingerido, no entanto, previne a Covid-19;
O que deve ser evitado para manter a imunidade alta?
- Hábitos como manter alimentação rica em gordura e embutidos, ser sedentário, beber em excesso e fumar. Dietas muito restritivas também podem ser prejudiciais.
Fonte: Especialistas consultados.
