Uma cena muito comum nas portas das escolas sejam elas públicas ou particulares é a presença dos vendedores ambulantes, os famosos tios da pipoca, da bala, do cachorro quente ou de qualquer outro produto que chame a atenção da garotada. A partir da próxima segunda-feira (5), as instituições de ensino estão autorizadas a retornarem com as aulas presenciais.
Em meio ao cenário de pandemia do novo coronavírus, médicos alertam sobre a aglomeração com vendedores ambulantes na frente das escolas e orientam sobre os protocolos a serem seguidos e evitar que elas ocorram.
As regras para o retorno gradual das aulas presenciais no ensino superior, técnico, médio e fundamental foram publicadas no Diário Oficial do Estado, em agosto, em portaria conjunta das secretarias estaduais da Saúde (Sesa) e da Educação (Sedu). Na terça-feira (29), foi a vez dos protocolos para a educação infantil serem divulgados pelo governo.
O gerente de Vigilância em Saúde, da Sesa, Orlei Cardoso, explicou que a pasta não tem, até o momento, uma proibição para a comercialização de produtos nas portas das escolas. Desta maneira, o especialista diz que a orientação é que esses trabalhadores sigam os protocolos válidos para feiras livres e outros comércios.
“Essas pessoas que fazem essa rotina de estar ali a gente orienta que elas obedeçam esses protocolos de espaçamento, com 1,5 metros de distancia, e outras rotinas que não favoreçam aglomeração, como não colocar cadeiras”, explicou ele.
Além disso, o gerente de Vigilância em Saúde ainda destaca ser necessário ter em mãos álcool em gel para higienização, usar máscara e demais meios de proteção individual. “Não tem proibição, ainda não chegou nesse ponto. É mais a conscientização e seguir os protocolos”.
O infectologista, Crispim Cerutti Junior, vai no mesmo entendimento e reforça a necessidade de se respeitar os protocolos sanitários para evitar que haja um aumento nos casos de Covid-19.
“A gente está socializando mais porque a curva tem apresentado uma queda consolidada nos números nas últimas 3 semanas, mas não ter contato, higienização constante das mãos e o uso de máscara o tempo todo são fundamentais para essa socialização”, frisou.
Já a infectologista Rúbia Miossi, por outro lado, reconhece que há a dificuldade dessas pessoas encontrarem trabalho, mas não recomenda que esses vendedores voltem nesse momento para a porta das escolas.
“Infelizmente, não é o momento adequado para a gente ter vendedor de pipoca e doces na porta da escola, justamente, por conta da aglomeração que isso acaba gerando e também porque, para comer, as pessoas precisam estar sem máscara. Isso gera aglomeração sem uso de máscara”, ressalta ela.
O presidente do Conselho Estadual de Educação (CEE), Artelírio Bolsanello, alerta também ao risco do compartilhamento de produtos entre alunos, o que é recomendado pelos protocolos do governo que não ocorra.
“Cada um tem de comer a própria merenda. Não pode repartir. Normalmente, a criança, se tem quatro balas no bolso, ela vai dividindo com os colegas, dando uma para cada. Isso tem que ser evitado também”.
