
A moradora é mais uma das mais de 7.700 pessoas que morreram por conta da doença no Espírito Santo. De acordo com a prima Adriana Vieira, Marly morreu por volta das 16h45, de domingo (4), após ficar 9 dias internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular em Carapina, na Serra.
Adriana conta que a prima, que também era vizinha dela, teve 75% dos pulmões comprometidos pelo coronavírus e precisou ser intubada. “O médico disse que a saturação dela estava baixa e, se ele demorasse mais em intubar, poderia ocorrer algo mais grave. Quando ele a intubou, ela estava consciente, conversou com ele e pediu para rezar com ela. Ela perdeu o irmão há dois meses. Ele já tinha uma doença e teve a Covid”, revelou ela.
De acordo com Adriana, a prima era responsável por fazer a alegria das crianças do bairro com festas, almoços e distribuição de brinquedos no Natal, quando se vestia de Mamãe Noel para entregar presentes.
“Há 26 anos que ela fazia o trabalho com as crianças. Ela fazia um almoço para as crianças, cada uma levava alguma coisa, mas também dava picolés, fazia bolo do tamanho de uma porta. Ela gostava muito e ficava muito feliz. No ano passado, ela não fez por causa da pandemia e estava pedido a Deus para fazer este ano, mas a pandemia voltou pior do que ano passado”, lamentou Adriana.
Mais de 50 crianças do bairro eram atendidas pelas ações promovidas por Marly. A fama se espalhou até pelos bairros vizinhos. “Tem hora que ela fazia festa e vinha gente do bairros vizinhos. Dava mais de 300 crianças”, recorda Adriana.