Quem procurou a tenda que realiza atendimento de pacientes infectados com Covid-19 em Guarapari, encontrou o local vazio e sem médicos neste final de semana.
A gerente de TI Rena Cristie Gonçalves, de 38 anos, esteve no local com um familiar que buscava atendimento e relatou que, além da falta de médicos na tenda, os enfermeiros aconselhavam os pacientes a ir embora.
“Na terça minha prima foi, por volta de 15h. Quando deu 16h30, teve o diagnostico positivo para Covid-19 e os médicos desapareceram da tenda. Ela ficou sem atendimento médico. Na sexta-feira, quando fui levá-la novamente porque estava se sentindo muito mal, não tinha ninguém na tenda. Estavam até lavando o local. Os enfermeiros iam convencendo as pessoas de irem embora e assim foi”, contou.
“Vi pessoas passando muito mal indo embora, algumas insistindo na própria UPA. Um médico de lá nos atendeu. Estou em estado de choque, porque a situação está caótica. Meu pai teve covid, ficou internado. Ficamos três dias com ele na UPA esperando a vaga. Os médicos da UPA são muito bons, e sou muito agradecida a eles. Mas chegar lá e ver a falta de atendimento, foi muito preocupante”, completou Rena.
A presidente do Conselho Municipal de Saúde, Regina Mello, destaca que a falta de médicos se tornou rotina desde que alguns profissionais pediram demissão ou exoneração, e novos médicos não foram contratados.
A falta de medicamentos ainda é uma situação também preocupante. Regina destaca que, neste momento, os pacientes com Covid não estão passando por exames de tomografia, prejudicando o atendimento mais rápido quando precisam buscar vagas em UTIs de hospitais da Grande Vitória.
“Precisamos que a gestão libere as cotas de tomografia. Os pacientes não estão conseguindo vagas porque não têm o histórico completo. A UPA só está encaminhando os pacientes com exames de sangue. Isso não prioriza. Às vezes o exame está relativo, mas os pulmões já estão encharcados. Precisamos que sejam liberadas as cotas dos laboratórios que o município possui convênio. Nós estamos no estado de guerra. Os servidores estão desesperados por quem vive e quem morre”, disse a presidente do Conselho.
O que diz a Prefeitura?
A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) esclarece que as autorizações de fornecimento dos medicamentos já foram emitidas e enviadas para os fornecedores. O município já recebeu a entrega de alguns medicamentos e aguarda a entrega de novos lotes que já possuem autorização.
No momento, há disponibilidade de todos os insumos em estoque (Epi’s) e, para continuidade da assistência aos profissionais de saúde, tanto das Unidades Básicas quanto da UPA, já estão sendo efetuadas mais aquisições.
Em relação à tomografia, é importante ressaltar que se trata de um procedimento de alta complexidade, utilizado quando os demais procedimentos de baixa complexidade já foram realizados para o diagnóstico da saúde do paciente. O protocolo de atendimento determina que os exames iniciais e recomendados são o hemograma, PCR e Raio-X. Apenas a partir da constatação do comprometimento do parênquima pulmonar, é utilizado a tomografia, a qual poderá destacar os sinais de agravamento ou indicar a necessidade de internação do paciente.
A Semsa ressalta ainda, que o município já realizou a convocação dos profissionais médicos efetivos para a prestação de serviço nas escalas da UPA. Também será aberto mais um edital de processo seletivo para contratação de profissionais.
“A Secretaria Municipal de Saúde informa que em nenhum dos dias os pacientes que procuraram a Unidade de Pronto Atendimento – UPA ficaram desassistidos por falta de médicos. Também, em momento algum, os profissionais de enfermagem informaram que o local estava sem médico. A higienização e desinfecção do local é realizada constantemente e sempre nos momentos de menor circulação de pacientes. A higienização é de extrema importância para garantir a segurança dos profissionais e pacientes na UPA e seu anexo”, diz a nota emitida pela prefeitura.
