A massoterapeuta Marlene Martins de Moraes, de 60 anos, ficou internada por 17 dias e morreu antes de receber o resultado do exame, que deu positivo para o novo coronavírus (Covid-19). A confirmação de que Marlene estava com a covid-19 chegou para familiares duas horas após o enterro dela, que ocorreu na última quarta-feira (17).
“Como família, a gente tinha o direito de saber o que ela tinha antes da minha mãe morrer, mas só tivemos o direito de ficarmos quietos e ouvir a mesma resposta todos os dias: que ela estava grave, mas estável. Até o dia em que minha mãe não estava mais, porque faleceu”, contou a filha da massoterapeuta, a empresária Gabriela Moraes, 23 anos.
De acordo com Gabriela, Marlene foi internada no dia 1º de junho na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Alto Lage, em Cariacica. Lá, eles realizaram um teste para saber se a massoterapeuta estava infectada com o coronavírus.

O resultado do exame feito no PA ainda não tinha chegado e, mesmo com o passar dos dias, o hospital só fez o teste no último dia 12. O resultado só foi liberado no dia 17, duas horas após o enterro de Marlene.
Ainda segundo a empresária, os médicos informaram que, além do respirador, eles estavam apenas tratando as infecções com antibióticos e davam sedativos para ela.
Mesmo sabendo que não há um tratamento confirmado para a doença, Gabriela afirma que a família está inconformada.
“Nós ficamos completamente reféns da situação. É uma doença nova, ninguém sabe nada sobre ela, mas eu sempre vou me perguntar se eles fizeram tudo que poderia ser feito se soubessem que a minha mãe estava com o vírus”, disse Gabriela.
A empresária conta que a Covid-19 não aparece como causa da morte na certidão de óbito da mãe. “Além de tudo, se quisermos alterar o documento, vamos precisar entrar com uma ação na Justiça”, disse.
“Não tivemos direito a um velório digno, a um último adeus, não consegui nem ver minha mãe pela última vez e ainda por cima não sabia o motivo da morte dela. Agora restam só lembranças para a gente”, lamentou.
Resposta da Sesa: “Recebeu toda a assistência necessária”
Por meio de nota, a Secretaria de Estado da Saúde lamentou a morte da massoterapeuta e afirmou que ela “recebeu toda a assistência necessária dentro dos protocolos de atendimento a casos suspeitos ou confirmados da Covid-19”.
A secretaria ainda informou que o tratamento para os pacientes com o novo coronavírus são ajustados de acordo com a evolução do quadro clínico do paciente se tratando de conduta médica de acordo com as complicações da doença, já que ainda não há na literatura vacina ou medicamentos específicos para tratar a enfermidade
“A Sesa esclarece ainda que todos os resultados das amostras enviadas para o Laboratório Central do Espírito Santo (Lacen-ES) são inseridas no Gerenciador de Ambiente Laboratorial (GAL), com acesso liberado para as Vigilâncias Municipais, que é a quem cabe informar o resultado a família. O Lacen recebeu a amostra da paciente Marlene no dia 12 de junho e o resultado foi disponibilizado no sistema em cinco dias”, diz o pronunciamento.
No entanto, a secretaria não informou sobre o exame feito na UPA de Alto Lage, que a família alega que não obteve o resultado.
Em relação a certidão de óbito, a Sesa afirma não ter competência cívil para alterar o documento, mas que “em casos de óbitos para pacientes ainda suspeitos, a certidão não apresenta a confirmação da doença, mas assim que o resultado é liberado ou a investigação do óbito concluída, o registro é feito no Painel Covid-19”.
