- Vitória, ES 26°C

Vitória 26°C

Coronavírus

“Não consigo manter meus filhos estudando em casa”

Dentre as dificuldades e limitações impostas pela pandemia, uma delas tem sido recorrente dentro de casas. É que alguns pais têm relatado a queda de ...

“Não consigo manter meus filhos estudando em casa”
- A cozinheira Rosa Maria diz que os filhos Gabriel, de 11 anos, e Daniel, de 7, precisam dividir celular durante as aulas

Última atualização

Dentre as dificuldades e limitações impostas pela pandemia, uma delas tem sido recorrente dentro de casas. É que alguns pais têm relatado a queda de rendimento dos filhos nas aulas de ensino remoto.

“Não consigo manter meus filhos estudando em casa”, conta a cozinheira Rosa Maria dos Santos, 41, mãe de Gabriel, de 11 anos, e Daniel, de 7, estudantes do 6º e do 2º ano do ensino fundamental na Escola Municipal Marechal Mascarenhas de Moraes, em Maria Ortiz, Vitória.

Segundo Rosa, os dois filhos precisam dividir o celular durante as aulas, que, às vezes, acontecem no mesmo horário.

Ela relata ainda que o filho mais novo tem dificuldade para se adaptar ao ensino remoto e acompanhar as atividades a distância. “Percebo falta de atenção às aulas e dificuldade de adaptação. É difícil e está assim desde o ano passado. A criança fica cansada desse modo de ensino”, comentou.

A cozinheira Rosa Maria diz que os filhos Gabriel, de 11 anos, e Daniel, de 7, precisam dividir celular durante as aulas (Foto: Dayana Souza/AT)

Especialista em Avaliação de Sistemas Educacionais, Edebrande Cavalieri explica que a falta de motivação e a dificuldade para acompanhar os conteúdos ensinados na aula remota se dão, principalmente, pelo ambiente em que o aluno se encontra, que não é o ideal.

“A escola tem um conjunto de elementos que motivam o aluno e que ele não encontra dentro de casa”, observa.

“O mais importante neste momento é conversar, fazer um acordo, explicar sobre a realidade e passar o sentimento de esperança para o filho, pois a imposição simples e dura não resolve. A esperança é um elemento motivador para que o aluno possa se comprometer o mínimo desejado”, orienta ainda Cavalieri.

A doutora em Educação Cleonara Schwartz reforça que o momento é de paciência com os filhos. “O mais importante agora é ter paciência, pois os alunos sentem falta dessa mediação qualificada dos professores, de tirar dúvidas, resolver os problemas em relação ao conteúdo. Em casa, isso fica restrito”.

“Não adianta cobrar muita coisa agora, porque o aluno não vai absorver o conteúdo e aprender da mesma maneira como se estivesse em uma sala de aula. O aproveitamento não será o mesmo”.

Até aula particular

 (Foto: Leone Iglesias/AT)

A dona de casa Giovana Viana, 33, relatou que o filho Miguel Viana, de 8 anos, estudante do 3º ano do ensino fundamental da Escola Estadual de Ensino Fundamental Pautila Rodrigues Xavier, em Jardim América, Cariacica, tem tido problemas com a adaptação ao ensino remoto durante a pandemia.

“Ele acha que não tem horário para cumprir as tarefas. Além disto, estuda pelo celular, o que dificulta”, disse Giovana, acrescentando ter precisado ainda da ajuda de um professor particular para o filho.


Criação de rotina e ambiente para estudo


Momento é de paciência

  • É preciso que os pais tenham paciência com os filhos, segundo especialistas em educação.
  • os alunos sentem falta da mediação qualificada dos professores, de tirar dúvidas, resolver os problemas em relação ao conteúdo. Em casa, isso fica restrito ao individual. A paciência é necessária para contornar a situação e entender os filhos.
  • Não adianta querer que a criança aprenda no ensino remoto com a mesma qualidade que teria se estivesse no ensino presencial. O aproveitamento não será o mesmo.
  • No ano de 2020, a escola precisou fazer escolhas sobre o que era o básico para ensinar aos estudantes, e neste ano também. Não adianta esperar que a escola vá conseguir trabalhar com toda a programação que teria no modelo presencial.
  • O ensino remoto é mais complexo para a criança, e o professor não consegue fazer as intervenções adequadas.

Diálogo e silêncio ajudam o estudante

  • Deve ser criado dentro de casa um ambiente para estudo. É necessário que o ambiente familiar colabore, bem como combinar um momento para que o ambiente fique silencioso na casa, para que as crianças se dedicarem melhor ao estudo.
  • Estabelecer uma rotina e monitorá-la, conversar de forma tranquila com as crianças, além de buscar interagir com o grupo da escola, seja por WhatsApp ou plataforma de ensino, também são atitudes fundamentais, de acordo com os especialistas.

Fontes: Edebrande Cavalieri, especialista em Avaliação de Sistemas Educacionais, e Cleonara Schwartz, doutora em Educação.

Mais Lidas

Ver tudo ›