- Vitória, ES 24°C

Vitória 24°C

Anúncio
Coronavírus

Novas práticas nos hospitais reduzem mortes em UTIs

Com a dura missão de cuidar dos pacientes mais graves nas Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) do Estado por conta do novo coronavírus, médicos ...

Coordenadora de UTIs, Eliana Caser explica que é fundamental ter equipe altamente treinada e multiprofissional

Última atualização

Com a dura missão de cuidar dos pacientes mais graves nas Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) do Estado por conta do novo coronavírus, médicos intensivistas revelam as novas práticas que têm reduzido o número de mortes nos hospitais.

Coordenadora de UTIs, Eliana Caser explica que é fundamental ter equipe altamente treinada e multiprofissional (Foto: Kadidja Fernandes - 31/03/2020)Coordenadora das UTIs do Hospital Unimed Vitória e professora da Ufes, Eliana Caser considera que a pandemia fez com que todos passassem por um processo de aprendizado. “Ainda temos mortes, mas os resultados são menos desfavoráveis que no início. Isso é reconfortante”.

Quanto ao tratamento, ela frisou que o fundamental é uma equipe altamente treinada e multiprofissional. “Desde o início, temos um protocolo de atendimento que mudou ao longo do período”.

Ela destacou que a hidroxicloroquina, que era usada em pacientes graves no início, foi deixada de lado após estudos mostrarem ser ineficaz em pacientes de UTI. Também citou alteração na estratégia de sedação de pacientes que acordavam agitados quando estavam entubados, além de mudanças no uso de anticoagulantes.

“O corticoide era usado em alguns pacientes, inicialmente, mas passamos a usar em praticamente todos, após estudos”.

O médico cardiointensivista Eduardo Castro, da Rede Meridional, ressaltou que, entre as práticas que têm feito diferença na UTI, está a prona, em que o paciente fica de barriga para baixo. “Isso melhora a oxigenação e evita, em muitos casos, a entubação”.

Outro fator destacado pelo médico é o acompanhamento e ajuste no aparelho de ventilação mecânica de forma frequente. Também houve acréscimo de medicamentos como a ivermectina, anticoagulantes, corticoide e antibióticos.

O médico intensivista e coordenador da UTI do Hospital Metropolitano, Eduardo Luchi, disse que houve aprendizado na parte farmacológica, do uso de medicamentos, e na de suporte, como o posicionamento diferente do paciente.

“O corticoide dexametasona, por exemplo, foi a única medicação que mostrou benefícios em pacientes com necessidade de oxigenioterapia ou ventilação mecânica. Também passamos a usar amplamente os anticoagulantes”.

Tecnologia com raio ultravioleta para eliminar o vírus em hospitais

Para ajudar na segurança de pacientes e funcionários em meio à pandemia do novo coronavírus, uma equipe do Hospital Unimed Vitória criou um equipamento que usa a radiação ultravioleta para ajudar na desinfecção de áreas do hospital.

A tecnologia começou a ser usada desde o dia 24 de junho, no centro cirúrgico do hospital, mas deve ter a utilização ampliada para outras áreas, como unidades de Tratamento Intensivo (UTIs).

O gerente de Manutenção e Engenharia da Unimed, Julyano Rigoni da Silva, explicou que os raios UV-C fazem a desinfecção das superfícies e também do ar – a chamada desinfecção espacial –, eliminando, inclusive, micro-organismos multirresistentes.

“Esse novo processo de desinfecção é um avanço importante porque aumenta a eficácia e a segurança”.

Rigoni explicou que o processo por meio da radiação ultravioleta é realizada em cerca de 20 minutos, sem a presença de pessoas no ambiente, já que os raios podem ser nocivos. A chamada torre de desinfecção tem 1,80 metro de altura e a equipe do hospital comanda o processo através de um aplicativo, também desenvolvido por profissionais da Unimed Vitória.

“Não é preciso ter contato com a torre de emissão de raios UV-C para realizar a desinfecção, já que o controle do equipamento é feito de forma digital, por meio de aplicativo. Assim, as equipes ficam seguras”.

A coordenadora da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) do Hospital Unimed Vitória, a infectologista Luciana Neves Passos, frisou que o sistema não descarta a necessidade de limpeza do ambiente, mas funciona de forma complementar.

“Realizamos primeiro o processo químico de limpeza, com produtos específicos, e, depois, o físico, por meio da emissão dos raios UV-C. Isso reforça ainda mais o nosso rigor na higienização do ambiente hospitalar, sempre cumprindo todos os critérios para a segurança dos pacientes e das equipes”, destacou Luciana Passos.

A infectologista ressaltou que o equipamento já era pensado antes mesmo da pandemia e não é capaz de “matar” somente o novo coronavírus, mas inativar micro-organismos como bactérias e fungos, por agir no código genético deles.

Equipamento usa radiação ultravioleta para desinfecção de área  hospitalar (Foto: Divulgação)


Saiba mais


Medicamentos

  • Médicos revelaram que, desde o início da pandemia, o aprendizado tem sido constante com relação ao tratamento de casos graves.

  • Eles reforçaram que ainda não há nada que combata o vírus, nem nenhuma medicação nova, mas ajustes têm sido feitos, e protocolos alterados a partir de novos estudos e da experiência.

  • A hidroxicloroquina, por exemplo, que no início da pandemia, era usada em pacientes graves internados em UTIs, após um estudo que mostrava a falta de eficácia nesses casos, praticamente não é usada em hospitais para pacientes graves.

  • Já o corticoide dexametasona mostrou benefícios nos pacientes graves internados e, com isso, passou a ser usado de forma ampla nos pacientes internados em UTIs.

  • Outra alteração no tratamento de pacientes graves foi o uso de anticoagulantes de forma diferenciada em relação ao que já era feito.

Suporte

  • As novas práticas também incluem, em algumas UTIs, o posicionamento de pacientes de barriga para baixo para melhorar a oxigenação, e diferenças na ventilação do paciente ou ajustes nos respiradores.

Fonte: Médicos consultados.

Mais Lidas

Ver tudo ›

    Bem-vindo(a) ao
    Tribuna Online!

    Seu bloqueador de anúncios está ativo.

    A publicidade ajuda a manter nosso jornalismo. Libere os anúncios para apoiar o Tribuna Online.

    Obrigado por apoiar o jornalismo local.