Embora empresários amarguem prejuízo que vai ultrapassar R$ 1 bilhão com o comércio fechado, a notícia sobre a reabertura a partir do dia 4 já dá sinais positivos, pelo menos para quem está na fila do desemprego.
O motivo é que, em um universo de mais de 35 mil desempregados no comércio por causa da pandemia do novo coronavírus, há a previsão de recontratações a partir dos próximos 90 dias. E elas devem aumentar de forma gradual até o final do ano.
A estimativa é do presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado, José Lino Sepulcri. Porém, ele não deu garantia se, até dezembro, todos que perderam o emprego estarão trabalhando.
“Em termos quantitativos, não posso estimar. Vai depender de uma série de questões, entre elas, a recuperação do mercado”.
Já o Dia das Mães, que empresários cogitaram adiar para julho, está mantido para o segundo domingo de maio e com promoções, como assegurou José Lino. “O comércio terá uma semana boa de ofertas”.
Sobre contratações para esse período, ele foi mais cauteloso. “Poderão acontecer, mas em casos emergenciais, como temporários. Não posso estimar quantas vagas poderão ser abertas e se de fato isso irá se consolidar. Quem vai ditar isso é a reação do mercado”.
Na indústria, ocorreram cerca de 18 mil demissões. O presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo, Leonardo de Castro, disse que a liberação do comércio é uma sinalização importante para começar a ajustar a economia, mas ainda a passos lentos.
A atividade industrial também sofre os impactos do fechamento do comércio e opera com 40% a 50% da capacidade. “Sem ter comércio, não faz sentido produzir. O vestuário, por exemplo, teve mais de 90% de queda. O setor moveleiro também foi muito impactado, com paralisação das fábricas”.
Já os setores com vocação para o comércio internacional e os de alimentos, produtos de higiene, bebidas e medicamentos estão operando com capacidade um pouco maior.
Pelas projeções do presidente da Findes, o segmento deve começar a ganhar fôlego daqui a seis meses, de forma lenta. Mas isso também depende de fatores como a retomada da economia e a aprovação de reformas.
