
Haverá o sorteio aleatório de um morador por casa. O secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, explica que, caso o teste desse morador escolhido dê positivo para a imunidade, os outros moradores serão testados, mas apenas o primeiro sorteado será contabilizado afim de estudo científico do avanço da imunidade da doença.
A Secretaria de Estado da Saúde chama essa testagem em massa de “inquérito sorológico”. Serão feitos cerca de 32 mil testes e para isso o Estado está prevendo a compra de mais 40 mil testes rápidos, garante Nésio.
“Vamos projetar estatisticamente o percentual da população infectada, medir a força de transmissão do vírus, e a capacidade que ele tem de avançar”, explicou.
Esse inquérito, na opinião de especialistas, é o melhor método para se ter uma noção real da velocidade e da forma que o vírus está avançando. Segundo Cristiana Costa Gomes, mestre em Epidemiologia Hospitalar pela Universidade de São Paulo, que integra as reuniões do governo, será possível de fato detectar os casos assintomáticos da doença.
“A literatura mostra que 80% dos infectados vão desenvolver formas leves assintomáticas e oligossintomáticas (pacientes que exibem poucos sintomas). Com o inquérito, saberemos quem não tem nenhum ou algum sintoma, mas teve contato com o vírus”.
O inquérito sorológico está em fase de piloto, conta o subsecretário de Vigilância em Saúde, Luiz Carlos Reblin. Além da coleta de sangue no teste rápido, será feito um questionário — e o modus operandi das equipes que vão para as casas precisa passar por uma espécie de treinamento e testes.
No questionário, revela Cristiana Costa Gomes, serão feitas perguntas demográficas, como quantas pessoas moram na casa, que tem maior escolaridade, presença de sintomas, ocupação, idade, presença de comorbidades, entre outros.
Imunes não vão entrar na conta de casos confirmados

Primeiro, porque, explica o secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, esse não é o objetivo do teste. Segundo, porque o inquérito sorológico será feito com testes rápidos, e não o teste “padrão ouro” (PCR), usado no Laboratório Central de Saúde Pública do Estado.
A médica infectologista Cristiana Costa Gomes diz que a decisão tem a ver com o que a epidemiologia chama de “estudo de prevalência”, que refere-se ao número total de casos existentes numa determinada população e em determinado tempo.
“A ideia é outra: é entender como o vírus se comportou. Não à toa, vamos fazer em quatro coletas, para ter noção da velocidade dele. E não somente de confirmar casos novos”.
Os testes serão feitos de 8 em 8 mil pessoas a cada 14 dias até completar os 32 mil testes previstos.