Pesquisadores dos Estados Unidos indicaram ontem que é “mínima” a probabilidade de transmissão da Covid-19 por alimentos ou por embalagens.
Em comunicado conjunto, duas organizações de peso do país, a FDA (Food and Drugs Administration) e o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulgaram a conclusão.
“Os consumidores podem ter a tranquilidade de que continuamos a acreditar, com base em nosso entendimento das informações científicas confiáveis atualmente disponíveis e apoiados em um consenso científico internacional, que os alimentos consumidos e as suas embalagens têm mínima probabilidade de espalhar a SARS-CoV-2”, afirmou a FDA, em comunicado.
O texto lembra que a Covid-19 “é uma doença respiratória transmitida de pessoa a pessoa, diferentemente dos vírus transmitidos por alimentos ou gastrointestinais, como o norovírus e a hepatite A, que costumam deixar as pessoas doentes via alimentos contaminados”.
“Dado que o número de partículas de vírus que teoricamente poderiam ser captadas tocando a superfície seria muito pequeno e a quantidade necessária para infecção por inalação oral seria muito alta, as chances de infecção ao tocar a superfície da embalagem de alimentos ou comer alimentos são consideradas extremamente baixas”.
Essa atualização do entendimento considerou mais de 100 milhões de casos de Covid-19. “Não vimos evidências epidemiológicas de alimentos ou embalagens de alimentos como a fonte de transmissão da SARS-CoV-2 para humanos”, conclui o documento.
Mesmo com o entendimento da possibilidade ser mínima, especialistas no Estado afirmaram que é importante manter a prática de higienizar as embalagens.
Uma delas é a epidemiologista Ethel Maciel. “Demos muita importância à transmissão por contato no início da pandemia, e pouca importância à transmissão pelo ar. Agora, sabemos que a transmissão pelo ar é mais importante. Então usar boas máscaras, em locais com bom fluxo de ar é mais importante”.
Os infectologistas Rubia Miossi e Paulo Peçanha disseram que as pesquisas relatam ser pouco provável, mas não é impossível. Eles explicam que a principal forma de transmissão é via aérea respiratória. Mas, reforçam que o hábito de limpar as compras deve ser mantido.
“É melhor manter os cuidados”
Na casa da professora Sandra Valentina Perozini Ramos, de 52 anos, desde o início da pandemia da Covid-19, as compras são feitas por aplicativo de smartphone e todos os produtos são higienizados antes de serem guardados no armário ou na geladeira.
A professora contou que segue à risca a recomendação de biossegurança em razão da pandemia e não pretende parar até que tenha vacina para todos. “É melhor manter os cuidados”.
