A quarentena para frear a contaminação pelo novo coronavírus (Covid-19) obrigou muita gente a ficar em casa por mais tempo. As saídas para baladas, restaurantes e encontros com os amigos deram lugar às refeições em família, aos shows pela internet e a um convívio mais estreito com os vizinhos, mesmo que sem contato físico.
É fato: o distanciamento social aproximou os vizinhos e os tornou mais unidos. As demonstrações de solidariedade e empatia se traduzem em pequenos gestos que fazem toda a diferença.
Em alguns casos, os mais jovens se oferecem para fazer compras de alimentos e medicamentos para que os mais idosos se mantenham em casa. Em outros, um vizinho envia uma mensagem de apoio, um livro ou até um pedaço de bolo de uma nova receita testada.
No condomínio do maestro da Orquestra Sinfônica do Espírito Santo (Oses) e da Camerata Sesi, Leonardo David, de 41 anos, que fica no centro de Vitória, a gentileza ecoou em forma de notas musicais.

“O prédio tem 16 andares, e muitos moradores são idosos. Criamos um grupo num aplicativo de mensagens para compartilhar informações importantes durante a quarentena, e muitos vizinhos relataram dificuldades emocionais enfrentadas neste período”, disse Leonardo.
Ele contou que os vizinhos pediram ao casal para que fizesse uma apresentação na área comum do condomínio.
“Então nos apresentamos. Nós, músicos, não usamos música para relaxar. Mas, naquele momento, sentimos algo sobrenatural e foi mais emocionante para nós do que para eles”, revelou.
Após a apresentação, Leonardo e Gabriela receberam muitos depoimentos de vizinhos, sobretudo em relação ao alívio da ansiedade.
“Conhecia todos pelo ‘bom dia’. Muitos, inclusive, sempre me cumprimentavam por saber que sou maestro. Outros vizinhos também se apresentaram no prédio ao longo da semana e eu e minha esposa vamos fazer um novo miniconcerto na quarta-feira”, destacou.

A analista de departamento pessoal Laene Almeida, de 55 anos, mora em um condomínio de Laranjeiras, na Serra.
Ela contou que usou um aplicativo de mensagens para se colocar à disposição dos vizinhos que quisessem que ela fosse ao supermercado fazer compras.
“Para não ter contato, combinamos de eles deixarem o dinheiro na churrasqueira. Eu faço as compras e deixo na churrasqueira também. Sempre que vou à padaria também pergunto se alguém quer pão”, comentou.
Laene salientou, ainda, que se sente muito feliz em poder ajudar: “É gratificante”.

Os vizinhos Roberto Vasconcelos, Thiago Haddad Santos, Weverson Tristão e Valdir Santos se mobilizaram para arrecadar alimentos e montar cestas para alguns moradores de Gurigica e Consolação, em Vitória.
Segundo Valdir, cerca de 70 cestas já foram distribuídas.
“São pessoas que, às vezes, nem têm o que comer. Para elas, essa cesta é uma milagre. É uma forma de levar carinho e esperança nesse momento de pandemia”, contou Valdir. Na região, pelo menos 86 famílias estão sem ter o que comer por um dia, uma semana ou um mês.

O eletricista e síndico de um condomínio de Morada de Laranjeiras, Serra, Lucas Fillipe Moraes, de 30 anos, protocolou um pedido para que o governo do Estado envie uma unidade móvel do Hemoes até o prédio.
A ideia é que os moradores façam um mutirão para doar sangue e fortalecer os estoques.
“Como em outros momentos, mas principalmente nesse da pandemia, temos o dever de unir amigos, familiares e vizinhos em prol de boas ações que venham a trazer melhorias para a nossa sociedade. Com determinação e união, iremos ter ótimos resultados”, opinou.