A mulher do sargento da Marinha de 40 anos, que morreu na semana passada após ter contraído o novo coronavírus, também está com a doença.
A informação foi passada pelo cunhado do militar, um empresário de 36 anos, que também está com suspeita do vírus e reclama que não conseguiu fazer o texto para Covid-19. O sargento era casado, pai de dois meninos – de 3 e 10 anos – e estava em tratamento de uma trombose.

O empresário, que está se mantendo isolado em casa, contou também que foi até o Vitória Apart Hospital, na Serra, às 19 horas de segunda-feira porque é a unidade de saúde referência de seu plano de saúde. No local, segundo ele, foi levado para uma área onde estão atendendo apenas casos de coronavírus e o médico que o examinou disse que não iria realizar exame.
“Segundo ele, essa é a nova orientação do Ministério da Saúde: não é para realizar exames mais em todo mundo. O médico me disse que, como já tem contaminação comunitária, é para procurar o hospital somente quando tiver sintomas graves. Me mandou tomar remédio para dor e lavar o nariz com soro, e disse: ‘com certeza você deve ter o vírus sim, mas pode ir embora para casa’”, relatou o empresário.
A preocupação da família foi destacada desde a semana passada, logo que o laudo confirmando o motivo da morte do sargento da Marinha foi divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).
“Minha família teve um histórico de morte por causa dessa doença. Meu cunhado evoluiu muito rápido para o óbito, questão de horas. Estamos vendo de forma geral as recomendações de ficar em casa, mas quando procuramos atendimento não podemos fazer o exame?”, questionou o empresário.
O outro lado
Procurada pela reportagem, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) respondeu que, a partir do estabelecimento de transmissão comunitária no Espírito Santo, os critérios para realização de exames em suspeitos de Covid-19 obedecem a padrões definidos pelas portarias do Ministério da Saúde e adotadas no Estado.
Uma nota técnica estabelece que “deverão ser coletados amostras de swab orofaringe e nasofaringe nos pacientes que apresentarem as seguintes situações: Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG); pessoas com sinais/sintomas respiratórios com ou sem febre que fizerem parte do seguinte grupo: hospitalizados, gestantes, profissionais de saúde, profissionais das forças de segurança, pessoas privadas de liberdade e institucionalizados de instituições de longa permanência de idosos”.
O Vitória Apart Hospital, que atendeu o empresário, destacou que, no caso da pandemia, dispõe de um plano de contingência estruturado para atendimento e orientação de casos suspeitos e confirmados de coronavírus. Todas as ações, segundo o hospital, seguem protocolos atualizados regularmente, estando alinhados com a nota técnica da Sesa em relação a atendimentos e procedimentos.
Sobre o cunhado do sargento, o hospital respondeu que, conforme registrado em prontuário, ele “foi atendido conforme essas normas, sendo clinicamente avaliado e orientado à conduta do isolamento, devendo retornar ao hospital no agravamento dos sintomas”.
Já a Prefeitura de Vila Velha informou que, assim que o Lacen libera o resultado positivo para Covid-19, imediatamente a equipe da Vigilância Epidemiológica Municipal faz contato telefônico com o paciente que testou positivo e/ou seus familiares por meio de investigação feita por telefone. “Em seguida, mantém esse monitoramento durante o período de incubação do vírus ou enquanto o indivíduo estiver sintomático”.
No caso do sargento da Marinha, segundo nota da prefeitura, “toda a família foi orientada a partir do dia 3 de abril, quando a vigilância recebeu a notificação do paciente”. Informou ainda que “não houve visita domiciliar a casa da família, porque além de não ter havido necessidade de visitar, não existe protocolo para isso, ainda mais em um momento como este em que se preconiza o isolamento social”. Mas ressaltou que todas as informações e acompanhamento que os pacientes/familiares precisam estão sendo feitos.