
A história se passa na Inglaterra do século 18, quando a Duquesa de Marlborough, Sarah Churchill (Rachel Weisz), exerce sua influência na corte como confidente, conselheira e amante secreta da Rainha Ana (Olívia Colman). Seu posto privilegiado, contudo, é ameaçado pela chegada de Abigail (Emma Stone), uma nova criada.

Mesmo não sendo o romance entre as personagens o enfoque principal do enredo, é ele a linha mestra que justifica algumas das atitudes que desencadeiam a trama, principalmente no que diz respeito a Rainha Ana, retratada como alienada e imatura para o tamanho do cargo que ocupa. É, contudo, a interação entre luxúria e política que é exposta no filme. Estamos falando da monarquia inglesa, uma das mais importantes e tradicionais do mundo, e que não está imune à influência daqueles que usam o sexo como ferramenta de poder.

O enredo é dividido em capítulos — o que facilita entender a evolução das relações interpessoais e o passar do tempo — e conta alguns anos da dolorosa vida da Rainha Ana. Ela herdou, em 1702, o torno do seu tio, o rei Carlos II, que não teve filhos legítimos. Governou por doze anos, período no qual sofreu com diversos problemas de saúde e morreu sem deixar herdeiros. Chegou a engravidar 17 vezes do marido, o príncipe Jorge da Dinamarca, mas nenhum resistiu. Até isso é retratado por Lánthimos com sutileza.
Enfim, o enredo é ousado e as atuações muito boas. Se vai sair com alguma estatueta? Possivelmente, mas não apostaria nas categorias principais.