
Vale inicialmente ressaltar que o Homem-Aranha que protagoniza o filme — há mais de um na história — é Miles Morales, adolescente, negro, filho de um policial com uma enfermeira latina. Somente por esta escolha, a Marvel já deixa bem claro que sua nova fase vai primar pela inclusão e diversidade, o que é uma premissa clássica das HQs da editora, basta lembrar de X-Men. Miles é um personagem rico por essa diversidade cultural. Sua mãe, inclusive, fala espanhol em algumas rápidas cenas. Nada mais oportuno para o momento político norte-americano.
Além disso, o jovem tem aflições e conflitos muito bem construídos, assim como foi com Peter Parker, o herói original e seu mentor nesta história. Miles deixou uma escola situada em um bairro mais popular, onde tinha amigos, para estudar em um internato de pessoas ricas. Está deslocado, longe dos pais e sem companhia. Este é o contexto que dá o pontapé inicial no roteiro.

Fora isso, algumas vezes, são incluídos aqueles balões de fala dos quadrinhos. Nada excessivo, mas ficou ótimo. Até a primeira edição do Homem-Aranha, escrita por Stan Lee, aparece mais de uma vez no longa-metragem. Falando nele, como todo filme da Marvel, Stan Lee, que faleceu no ano passado, aparece. Podem separar as lágrimas.

Bom humor não falta, afinal é um filme do “Amigão da Vizinhança”. Também se abusa de referências tanto dos filmes que já marcaram as telonas, a exemplo dos filmes de Sam Raimi, como de memes do mundo nerd.