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“Com amor, Simon”: sexualidade tratada com leveza

O cinema tem a capacidade de emocionar, te fazer rir ou chorar. Quando abarrotado de espectadores, essas emoções se intensificam e, quase que por ...

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O cinema tem a capacidade de emocionar, te fazer rir ou chorar. Quando abarrotado de espectadores, essas emoções se intensificam e, quase que por osmose, te fazem agir como todos na sala escura. Isso tudo acontece ao assistir ao filme Com amor, Simon que estreiou oficialmente neste primeiro final de semana na maioria do País.

É um filme gay totalmente diferente do último com a mesma temática que ganhou destaque mundial: o excelente e marcante Me chame pelo seu nome (2017/Itália), vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Adaptado. Mas, isso não significa que é ruim. Inclusive, comparar os dois longas-metragens seria injusto. Afinal, seus objetivos são completamente diferentes. Traçar pontuais paralelos, porém, é salutar.

O vencedor do Oscar é profundo e tem cenas sensuais. Reflexivo e delicado, Me chame pelo seu nome – baseado no livro escrito pelo professor de literatura da Universidade de Nova York, André Ancion –  tem aquele ritmo mais lento de uma obra feita para ser exibida em festivais. Conta a história de Élio, um adolescente italiano que passa as férias na casa de verão com sua mãe e seu pai, um professor acadêmico que orienta alunos de mestrado. Naquele verão da década de 1980, quem chega é Oliver, um belo americano que passa a chamar atenção do jovem de 17 anos. Há uma tensão sexual em quase todas as cenas, embaladas por uma trilha sonora sensacional. É um amor de verão que se descortina para o público e leva a descobertas e amadurecimento dos personagens.

Com amor, Simon, por sua vez, é bem mais comercial (foi produzido pela Fox), portanto, tem aquele acelerado ritmo hollywoodiano. O protagonista é o jovem americano Simon, que também está com 17 anos e esconde sua sexualidade dos pais e amigos. No decorrer da história, ele passa, entretanto, a se corresponder com outro aluno gay de sua escola por e-mail, ambos usando perfis fakes. Isso, até o dia em que as mensagens são descobertas por um colega de turma.

Elenco principalÉ, obviamente, um filme de high school e, como a maioria desse gênero, é leve, muito bem humorado e com ótimas músicas. Há dilemas e belos diálogos, mas não profundos o bastante para tirar o espectador daquele entretenimento casual. O que também não é um ponto negativo, afinal, a sexualidade nem sempre precisa ser tratada em tons de cinza (sem trocadilhos com a famosa trilogia).

A estreia do final de semana também foi baseada em um livro. Este escrito pela americana Becky Albertalli que, em entrevista para a revista Veja, defendeu o surgimento de novas ficções com personagens LGBTQ e afirmou: “Há muitas crianças que vão ver a si mesmas nesses livros e filmes”. Esse talvez seja um dos segredos desse longa. Outro é a aposta em atores adolescentes que ganharam destaque em produções mundialmente conhecidas nos últimos anos.

Katherine Longford e Nick Robinson, rostos conhecidos do público teenO papel de protagonista ficou com Nick Robinson, de 23 anos, que fez Jurassic Word: o mundo dos dinossauros (2015) e tem como coadjuvantes Katherine Langford, a Hanna da série da Netflix 13 Reasons Why, e Keiynan Lonsdale, de The Flash e da série australiana Dance Academy. Todos já provadamente carismáticos atores e de amplo acesso ao público teen, a quem o filme se direciona. A sala na qual assisti, no Shopping Vitória, estava repleta de adolescentes que aplaudiam e torciam pelos personagens, o que confirma o que a criadora da história já estimava.

Em alguns aspectos, o filme lembra o também impressionante As Vantagens de ser Invisível (2012), assim como Extraordinária (2017). Mas o humor aqui é mais bem aproveitado. A trilha sonora é ótima. A história é bonitinha e os atores competentes. É um daqueles filmes que aquece o peito e é perfeito para ver em uma tarde preguiçosa no cinema mais próximo. De preferência em sessões lotadas de amigos.

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