- Vitória, ES 24°C

Vitória 24°C

Anúncio
Claquete

Jogador Nº 1: distração pelo tempo de uma partida de videogame

Jogador Número 1 é um filme do diretor Steven Spielberg. Isso parece que já garantiria sua excelência como uma marcante aventura futurista. Não é bem ...

Última atualização

Jogador Número 1 é um filme do diretor Steven Spielberg. Isso parece que já garantiria sua excelência como uma marcante aventura futurista. Não é bem assim.

Steven Spielberg dirige e produz o filmeA história se passe em um futuro não muito distante, 2044, no qual as pessoas preferem a vida virtual em detrimento da real. Lá passam horas no Oasis, um jogo de realidade aumentada no qual o jogador pode ser quem quiser ou fazer o que bem entender, fugindo da sua realidade pacata. A premissa é muito boa e o tom de aventura próprio do diretor é sentido. Mas, falta algo mais.

Talvez isso seja resultado de uma expectativa muita alta pela estreia. Principalmente devido à quantidade de referências de cultura pop, muitas das quais os trabalhos anteriores de Spielberg –  que também assina a produção deste – deram origem.

Cartaz com referência a Clube dos Cinco (1985)Isto é, definitivamente, o ponto alto do filme. Vale buscar entender as músicas e as dicas nos diálogos que citam Clube dos Cinco (1985), de De Volta Para o Futuro (1985), Curtindo a Vida Adoidado (1986), entre outras. Perceber as rápidas cenas com personagens ícones dos videogames (Mário, Lara Corft, Chun-li), do cinema (Superman, Star Trek, Alien) e das animações (tartarugas ninjas) é um divertimento a parte da história. São mais de 80 easter-eggs e referências.

Desde Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (2008) um filme dirigido por ele não ia tão bem em bilheteria – em Jurrasic Word (2015), Spielberg assina como produtor. Jogador Nº 1 já conseguiu US$ 181 milhões em todo mundo com pouco mais de uma semana de estreia.

Porém, é um filme que, assim como muitos games, cumpre a missão de distrair por alguns minutos. Mas, não encanta ao ponto de sair do cinema refletindo e empolgado com o que viu. O ator principal Tye Sheridan fica entre o galã e o nerd, mas não tem tanto carisma para segurar um protagonista e levar o público a torcer, por exemplo, pelo seu romance com a personagem de Olivia Cokke.

Há, no início do filme, uma longa explicação, bem didática, sobre aquilo que o expectador vai ver na tela nos próximos segundos. Algo que poderia ser diluído no enredo. Foi uma opção do roteiro, talvez para que o público infanto-juvenil possa embarcar na história desde o início. Porém, a estratégia não auxilia muito o ritmo da história.

Avatar do criador do Oasis, James Halliday (Mark Rylance)Alguns personagens coadjuvantes, como o interpretado pelo cantor japonês Win Morisaki, quase não têm espaço para se desenvolver em uma trama com muito conteúdo e que corre para explicar um universo muito grande.

O filme mescla atores reais com animação, mas não fica algo forçado. É um dos acertos. Mas, entre os filmes do diretor neste formato, prefiro As Aventuras de Tintim (2011).

Para quem já criou Indiana Jones, Tubarão, E.T e recentemente esteve indicado ao Oscar com um filme mais sério como The Post, Spielberg não terá sua carreira marcado por Jogador Nº 1 – mesmo que o diretor não precise provar nada a ninguém, afinal já marcado como poucos a história do cinema.

Mais Lidas

Ver tudo ›

    Bem-vindo(a) ao
    Tribuna Online!

    Seu bloqueador de anúncios está ativo.

    A publicidade ajuda a manter nosso jornalismo. Libere os anúncios para apoiar o Tribuna Online.

    Obrigado por apoiar o jornalismo local.