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“Um lugar silencioso”: um filme que assusta com o silêncio

A escritória brasileira Martha Medeiros tem uma frase já emblemática e bem conhecida, principalmente nas redes sociais: “O único silêncio que ...

Última atualização

A escritória brasileira Martha Medeiros tem uma frase já emblemática e bem conhecida, principalmente nas redes sociais: “O único silêncio que perturba é aquele que fala”. Talvez isso seja o que mais bem define a premissa do filme Um Lugar Silencioso, que estreou semana passada no Brasil.
A primeira fala dos personagens principais só é ouvida depois de 40 minutos de cenas encadeadas ao ritmo de uma trilha sonora quase imperceptível. Para os ouvidos já acostumados com explosões, batidas e mixagens de som em volumes ensurdecedores, é um choque daqueles que, como bem proferiu a escritora brasileira, perturba, incomoda, aflige.
Isso porque o filme retrata uma família que vive em uma realidade, na qual a maioria dos seres humanos da Terra foi aniquilada por uma criatura que reage ao som. Um monstro que ataca ferozmente ao mínimo som de vidro se quebrando, de uma conversa, de um grito ou mesmo de uma lâmpada que cai no chão.
Se, nos primeiros momentos, se concentrar e embarcar nessa proposta não é tão fácil, passado alguns minutos, cada passo dado pelos personagens faz o espectador prender a respiração e temer até mesmo um sussurro com amigo da cadeira ao lado. Não se pode perturbar aquela atmosfera de suspense e terror.
O roteiro é direto e não se incomoda com explicações ou em situar o espectador. A realidade que vive a família – a qual nem nome tem – é aquela, e nela que todos precisam sobreviver. Esse é um acerto, assim como a escalação do elenco. Neste filme, expressões, olhares e linguagem corporal são determinantes.
A tarimbada Emily Blunt (Diabo Veste Prata, A Garota do Trem, e O Retorno de Mary Ponppins, este com estreia este ano) consegue se sair mais uma vez muito bem. Ela interpreta a mãe e com apenas um olhar transmite toda angústia de quem vê a vida dos seus filhos ameaçada. Ela mantêm uma química perfeita com John Krasinski, o que não não poderia ser diferente, afinal são casados na vida real. Ele não tem o brilho de Blunt, mas também não faz feio. O jovem Noah Jupe, de 13 anos, por outro lado, consegue ser tão cativante quanto foi em Extraordinário.
Todos eles tiveram no silêncio um desafio, o que se estende ao espectador. Nas redes sociais, quem já viu o filme só tem elogios e relata a árdua missão de tentar comer pipoca em meio à ausência de som quase absoluta.

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