
Desde 1988, com Robson Caetano, nenhum brasileiro correu os 100m rasos em 10s00. Na história, ninguém nascido no País correu abaixo de 10s. Por isso tanta expectativa em cima do Paulo André, que no primeiro dia do Troféu Brasil venceu a final com 10s02!
Na semifinal, já havia feito 10s03! Até então, sua melhor marca era 10s06, alcançada em julho e que o deixava empatado com André Domingos no posto de segundo homem mais rápido da história do Brasil.
O leitor de A Tribuna já ouve falar do “P.A.” há pelo menos quatro anos, quando ele já se mostrava um talento nos Jogos Escolares. O Brasil inteiro agora está conhecendo o jovem capixaba de coração, que por pouco não foi jogador de futebol.
Porém, Paulo André é uma exceção. Como quase todos que vencem no esporte brasileiro. Um país de dimensões continentais, com matéria-prima abundante, mas que não olha com carinho para a formação dos seus atletas. E que, por isso, está longe (muito!) de ser potência olímpica.
Paulo André hoje compete e participa de campings fora do País. Defende o Pinheiros/SP. Fez parte do programa Vivência Olímpica do COB. Mas até chegar onde está, treinou com muito improviso em Vila Velha. Tem a sorte do treinador ser o seu pai, Carlos Camilo, também velocista de alto rendimento nos anos 80. E por isso, com acesso a informações e contatos que, certamente, a grande maioria dos treinadores de base fora dos grandes centros do País não tem.
O trabalho da dupla é espetacular. Os resultados falam por si só. E eles vão além e ainda trabalham com crianças em um projeto social em Vila Velha.
O atletismo deveria estar nas escolas, nas aulas de Educação Física. Poderia servir até de porta de entrada de crianças no esporte. Mas vivemos das exceções no esporte brasileiro. Não há política esportiva no País. O esporte é jogado para segundo (ou terceiro, quarto…) plano, não é discutido em eleições, é utilizado como trampolim para políticos e por aí vai.
Quantos Paulos Andrés não estamos perdendo diariamente? Simplesmente porque não olhamos para eles. Só são vistos quando já chegaram longe. Quase sempre, sozinhos.
Boa sorte, Paulo. A torcida por você é cada vez maior. Que mantenha toda essa dedicação, alegria, simplicidade e não perca o foco! Você já fez história.
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Exceção é a regra
Paulo André é o nome da vez. Nome que já atendeu por Maurren Maggi, Claudinei Quirino, Jadel Gregório e, há dois anos, Thiago Braz. Exemplos recentes de brasileiros que brilharam e muito no atletismo mundial. E a renovação, como ficou?

A lista é longa, principalmente nas modalidades individuais. Mas atinge também as coletivas. A seleção brasileira feminina de handebol foi campeã mundial em 2013 e a modalidade anda em frangalhos atualmente. O basquete, de títulos mundiais no masculino e feminino, ensaia uma ressurreição depois de anos no buraco. O vôlei – sim, o supercampeão vôlei – sofre com o fechamento de times por falta de patrocínio!
Aproveitamos muito mal os bons momentos. Não sabemos tirar proveito deles e, por isso, é tão difícil ter continuidade e renovação.
Não concordam? Então me digam qual o famoso legado que ficou da Olimpíada do Rio/2016?