No tempo em que meninos, jovens e adultos ouviam com frequência “Seja homem!”, “Prove que você é homem!”, “Vem cá se você é homem!”, ou seja, sempre desafiados a provar sua masculinidade, surgiu o homem dos cigarros Marlboro. O ator da propaganda, Robert C. Norris, morreu agora, aos 90 anos.
O mais duro dos duros
A propaganda ilustrou de forma perfeita o que povoava a imaginação das massas: “O homem duro, solitário porque não precisa de ninguém, impassível, viril a toda prova. Todos os homens, em determinada época, sonharam ser assim: uma besta sexual com as mulheres, mas que não se liga a nenhuma delas; um ser que só encontra seus congêneres masculinos na competição, na guerra ou no esporte. Em suma, o mais duro dos duros, um mutilado de afeto”, diz a filósofa francesa Elisabeth Badinter.
Metas inatingíveis
As características do homem masculino numa cultura patriarcal são a força, o sucesso, a coragem, a ousadia e tantas outras do gênero, sem esquecer, claro, aquela cobrança que atormenta todo menino: “Homem não chora.”
São todas metas inatingíveis para a maioria. A mulher feminina, ao contrário, deve ser delicada, frágil, sensível, dependente, gentil, pouco competitiva, se emociona à toa, chora com facilidade, indecisa, pouco ousada, recatada.
Mas, na realidade, a diferença entre homens e mulheres é anatômica e fisiológica. O resto é produto de cada cultura ou grupo social.
Amplitude sexual
O ser humano possui uma amplitude sexual inigualável, podendo experimentar a sexualidade desde a simplicidade reprodutora de um puritano até o êxtase do sexo tântrico.
Para Wilhelm Reich, famoso psicanalista da primeira metade do século XX, a saúde psíquica depende do ponto até o qual o indivíduo pode entregar-se e experimentar o clímax de excitação no ato sexual.
As enfermidades, ao contrário, seriam o resultado do caos sexual da sociedade. Afinal, o ser humano é a única espécie que não segue a lei natural da sexualidade.
O que é um sexo de baixa qualidade?
Exercer mal o sexo é isso: não se entregar às sensações e fazer tudo sempre igual, sem levar em conta o momento, a pessoa com quem se está e o que se sente. É fundamental não ter preconceito nem vergonha, considerar o sexo natural, fazendo parte da vida. A busca do prazer pode então ser livre e não estar condicionada a qualquer tipo de afirmação pessoal.
O sexo pode ser ótimo quando se cria o tempo todo junto com o parceiro e o único objetivo é a descoberta de si e do outro. Assim, ele deixa de ser a busca de um prazer individual para se tornar um poderoso meio de transformar as pessoas.
A idealização do par amoroso
Há casos em que alguém acaba de conhecer uma pessoa e na mesma hora a considera sua “alma gêmea”. Não se sabe nada do outro, a conversa dura pouco, mas isso não impede de que se façam planos e se imaginem situações.
Na maior parte das vezes, a emoção que se sente, nesse caso, não é a do amor verdadeiro nem a do desejo sexual perturbador.
A paixão é pelo que se projeta no outro
O mais comum é que esse amor — totalmente idealizado — seja do tipo romântico. Nele não se percebe a pessoa real como ela é, e a paixão é pela imagem que se constrói dela, pelo que se gostaria que ela fosse.
Ansiosos por experimentar as emoções tão propaladas desse amor, quase todos no mundo ocidental constroem a história que bem entendem, sem nem se dar conta disso.