Desde que os números de casos registrados de covid-19 começaram a aumentar, obrigando a adoção de medidas mais restritivas e consequente aumento de pessoas trabalhando em casa e aulas on-line, cresceram também as reclamações nos condomínios, fazendo com que os síndicos e administradoras passassem a ter mais jogo de cintura para lidar com os momentos de tensão e estresse.
Essa convivência forçada de pessoas que só têm em comum o fato de morarem no mesmo prédio, aliada ao cansaço por um ano de pandemia, cada vez mais se reflete em casos de irritação e bate boca cada vez mais exaltados.
O que antes era provocado apenas por cachorro, criança ou carro, sobretudo durante os finais de semana, deu lugar a conversas fora de hora, som de rádio e televisão nas alturas, crianças correndo e pulando, mas isso a qualquer hora do dia, mesmo durante a semana.
A continuidade ou não das obras têm gerado muitos questionamentos. A aposentada e síndica Elisângela Madeira, de Vitória, precisou contar com o bom senso dos moradores para agilizar a finalização de parte de uma obra no prédio. “Com a colaboração dos moradores foi possível chegar a um consenso sobre a realização de uma obra que estava em andamento. Conseguimos ampliar o horário estipulado para obras, inclusive em um dos dias de feriado antecipado, para que a parte mais barulhenta durasse menos dias. E deu certo, a pior parte já passou. Sem o entendimento dos moradores isso não seria possível”.
De forma geral, os síndicos estão reduzindo o horário em que é permitido fazer reformas ou consertos, mas afirmam que os moradores estão muito sensíveis a esse tipo de incômodo. A orientação do Sindicato Patronal de Condomínios e Empresas Administradoras de Condomínios do Espírito Santo (SIPCES) é que as obras emergenciais devem ser realizadas, e são inegociáveis. Serviços de manutenção de equipamentos também não podem ser paralisados. Já as demais obras podem, e devem, aguardar.
Outro tormento tem sido as festas. De acordo com o decreto do governo do Estado, somente membros da mesma unidade familiar podem se reunir. Ainda assim, síndicos e administradoras preferiram não permitir os encontros em churrasqueiras e salão de festas do condomínio, vetando a reserva desses espaços.
Além de problemas com barulho, o desrespeito às normas para evitar a Covid-19 dentro dos condomínios, como a recusa em usar máscara nos espaços comuns, também aumentou. Muitos estão tendo dificuldade em fazer com que as pessoas entendam que as restrições lá de fora também se aplicam nas áreas comuns do condomínio.
Funcionários dos condomínios, como porteiros, faxineiros e zeladores, sofrem com o descumprimento das regras, e há quem defenda que eles estão na linha de frente da pandemia, já que lidam diretamente com moradores, e são essenciais para que os outros possam ficar em casa.
Em caso de problemas e desavenças, a orientação do SIPCES é que o primeiro passo é reunir provas do problema. Se for um barulho recorrente, por exemplo, fazer gravações e chamar um funcionário para presenciar o problema ajuda a dar embasamento à reclamação. Também é indicado fazer uma anotação no livro de ocorrência do prédio. A partir daí, síndico e administradora vão avaliar se é o caso de conversar com o outro morador, dar uma advertência ou multa.
Em situações mais graves, como casos de violência ou de moradores que insistem em dar festas na pandemia, a solução, em último caso, é chamar a polícia.
