Ainda enfrentando reflexos nos últimos anos, especialmente pela pandemia da covid-19 e a alta da inflação, no final do mês nem sempre as contas fecham. No Estado, 1.250.257 estão inadimplentes. Na capital, o número é de 129.541.
São as contas de água, luz e gás que lideram o ranking dos inadimplentes, com 27,83%, segundo dados da Serasa. Na sequência, os cartões de crédito e pendências com bancos, telefonia e varejo, incluindo os boletos. Os dados são de agosto deste ano.
Levantamento mensal realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostra que, a cada 100 famílias no País, 79 estão endividadas.
No Estado, o valor total das dívidas é de R$ 5.622.436.476,18, de acordo com a Serasa. Já no País, o montante é superior a R$ 289 bilhões – dos quais, 28% estão relacionados a pendências com bancos e cartões de crédito.
Quase que empatados, os homens representam 50,1% no ranking dos inadimplentes no Estado, sendo acompanhado pelas mulheres, com 49,9%.
Cecília Entringer Perini, economista e líder regional da XP no Espírito Santo, atribui o número de inadimplentes a diversos motivos. O primeiro é o reflexo do pós-pandemia, que fez a inflação atingir níveis muito altos.
O segundo é o preço dos alimentos fazendo com que as pessoas recorram ao crédito que, por sua vez, está mais caro em função da taxa de juros, que também subiu para conter a inflação.
O terceiro é a falta de educação financeira, que faz com que as pessoas não tenham o hábito de manter uma reserva de emergência para momentos mais difíceis.
“Em muitos casos, pela falta de conhecimento, as pessoas acabam escolhendo o cheque especial e o rotativo do cartão de crédito, por exemplo, que são as linhas de crédito mais caras que existem e, na maioria do casos, viram dívidas impagáveis por terem taxa de juros que pode chegar em 350% ao ano. Imagine o seguinte cenário: alguém que deve R$ 1.000 em janeiro ao não pagar essa dívida, termina o ano devendo R$ 3.500”.
Feirão e descontos para negociar
Quem deseja sair da inadimplência, encontra opções em feirões e negociação com instituições bancárias e lojas.
O Banestes promove mais uma edição do Feirão Acordo Fácil Itinerante. A partir do dia 17, equipes em renegociação passarão pelas agências nas regiões do Caparaó e do Norte do Estado.
Durante o feirão, os clientes poderão obter descontos de até 100% em juros, correção e multa, além de parcelar o valor em até 120 meses.
O caminhão da Caixa estará em Colatina até sexta-feira (07). Os descontos para quitação de contratos comerciais podem chegar a até 90% do valor da dívida e as condições especiais, para pessoas físicas e jurídicas, variam conforme o perfil do crédito contratado e atraso.
Além do caminhão, os clientes podem negociar pelo telefone 4004 0104 (capitais) ou 0800 104 0104 (demais regiões) e WhatsApp, pelo 0800 104 0104, e outros canais.
O Bradesco diz que está sempre disponível para renegociar as dívidas realizando análise caso a caso.
O Santander afirmou que está constantemente criando ações para ajudar os clientes a renegociarem as suas dívidas.
No Banco do Brasil, os clientes podem buscar uma solução conforme a sua capacidade de pagamento pelo WhatsApp (61-4004-0001) com o #renegocie, no App do BB no menu solução de dívidas, no Portal Soluções de Dívidas (bb.com.br/renegocie), ou nas agências.
A Cesan oferece condições especiais para negociar, que incluem pagamento em até 48 parcelas, sem correção, e com desconto de 100% dos juros e multa. É feita análise de acordo com a classificação do imóvel e das condições do débito.
Já os clientes da modalidade Tarifa Social podem parcelar seus débitos em até 60 ou 100 vezes, dependendo do valor, com 100% de desconto dos juros e multa. Mais informações pelo telefone 115.
Para realizar a negociação com a EDP, os clientes podem procuraras agências de atendimento, central de atendimento 0800 7210707 e no aplicativo EDP Online.
Glenda Amaral, presidente do Sindicato dos Lojistas de Vila Velha, filiado à Federação do Comércio do Estado, orienta que os clientes busquem as lojas para negociar. Ela observa que o número de inadimplentes vem caindo e, com crédito, o comércio volta a ficar aquecido.
Saiba Mais
– Quando um consumidor é considerado inadimplente?
É quando deixa de pagar a dívida no período estipulado pelo credor. Normalmente, as empresas tentam negociar com o cliente antes de incluir o nome dele na Serasa. Elas dão um prazo para que a conta seja paga. Só após esse prazo o nome do consumidor é enviado para o cadastro de inadimplentes.
– Depois que a dívida é paga, qual o prazo para o nome sair do banco de dados dos inadimplentes?
Após o pagamento, em até cinco dias úteis é retirado do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC).
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