A partir de agora, os bancos passam a ter mais autonomia para reduzir o limite do cartão de crédito de clientes com maior chance de endividamento, como quando ele perde a renda e fica desempregado.
A medida foi anunciada nesta segunda-feira (29) pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Antes, havia um prazo de 30 dias antes de a redução ser realizada. Agora, após ser informado pelo banco, o limite de crédito pode ser reduzido imediatamente.
“A maior parte dos consumidores não se planeja financeiramente, e, com isso, se endivida. As empresas de cartão visam minimizar esse problema”, explicou o presidente do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES), Ricardo Paixão.
Ele ressaltou que, atualmente, o cartão de crédito é um dos principais causadores de inadimplência, pois oferece ilusão monetária.
“Cartão de crédito não é dinheiro, é uma dívida que você está contraindo. Tem que ter o dinheiro para pagar a fatura quando chega.”
O diretor de economia e conselheiro da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Roberto Vertamatti, destacou que os bancos poderão utilizar critérios próprios para realizar a redução, de acordo com o histórico de inadimplência do cliente, ou se ele se encontra em situação de risco, como desempregado.
Vertamatti ressalta ainda que a medida parece ser pontual. “Assim que a economia começar a ter crescimento, deve haver uma nova facilitação do crédito. Mas, acredito que sem uma reforma da Previdência, não teremos possibilidade de crescimento mais consistente.”
O economista especialista em finanças pessoais Laudeir Frauches, frisa que os bancos estão tentando se resguardar das consequências de práticas anteriores. “Os bancos vêm reduzindo o crédito por causa da inadimplência. E eles têm que fazer isso, porque quem paga em dia acaba tendo os juros elevados por causa de quem deixa de pagar.”
Segundo o professor universitário Mário Vasconcelos, o spread bancário é um dos motivos para as altas taxas de juros do cartão de crédito. “O volume de depósitos do banco tem que se equiparar aos saques, ou, então, é preciso pegar o valor emprestado com outro banco. Os juros desse empréstimo giram em torno de 6% ao ano, e é repassado ao consumidor a 320% ao ano.”