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Economia

Boi e frango com preços parecidos

Expectativa é de queda no valor da carne bovina, enquanto o da ave deve seguir em alta, segundo economistas e supermercadistas

Carne de boi tende a ter redução no preço, devido, por exemplo, à menor procura da China pela proteína animal
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Gustavo Andrade

Jornalista formado pelo Centro Universitário Faesa, atua como repórter multimídia no jornal A Tribuna e portal Tribuna Online, com foco na editoria de Economia e produção de reportagens especiais. Escolheu a profissão por sempre gostar de escrever, além da paixão por esportes e música. Possui experiência também com assessoria de imprensa e produção de vídeos.

Última atualização

O preço da carne de boi já caiu e vai ter novas reduções nos supermercados e açougues. Ao mesmo tempo,  a carne de frango tem ficado cada vez mais cara. O resultado: há uma tendência de as duas terem preços semelhantes nos próximos meses. 

 













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É a previsão que faz a Associação Capixaba de Supermercados (Acaps) e economistas consultados pela reportagem.

No caso da carne bovina, a queda  será devido à redução da importação pela China e à melhora das pastagens, o que reduz o custo de produção para os produtores. 

Atualmente, os pastos estão secos devido ao período de poucas chuvas.

Com relação à carne de frango, o aumento nos preços é motivado principalmente pela baixa disponibilidade interna, por conta de exportações elevadas e ao aumento do consumo pela população, devido à inflação, já que no início do ano ela apresentava preço mais baixo.

O superintendente da Acaps, Hélio Schneider, destaca que a tendência é a redução no preço da carne bovina. Ele cita a lei da oferta e da procura, já que haverá maior estoque de carne de boi no mercado interno. 

Ao mesmo tempo, a carne de frango deve manter os preços elevados para o consumidor.

“Com o clima favorável a partir de novembro e após o período de entressafra, a produção de carne bovina tende a continuar boa e o preço abaixar proporcionalmente. No caso do frango, outro fator é  que os preços do milho e do farelo de soja continuam  elevados.”

Problema

O economista Ricardo Paixão destaca que o Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de carne bovina no mundo, e que, com o corte de importação da China, será um problema para os frigoríficos.

“A China vem recuperando seus estoques de carnes após a pandemia e, no caso dos suínos, da epidemia de peste suína africana. O preço da carne de boi vai ter queda para o consumidor capixaba, mas é também uma situação preocupante para os frigoríficos”, afirma.

É a mesma concepção do economista Heldo Siqueira, que destaca que com a diminuição das importações da China haverá um aumento da oferta doméstica com preços reduzidos.

China recuperou os estoques de suínos

O mercado

Em carne bovina, o Brasil é um dos mais importantes produtores no mundo. O produto chega ao mercado de mais de 150 países.

A produção de carne de frangos garante ao Brasil o título de segundo maior produtor do mundo e primeiro em exportação. 

A produção nacional visa, de forma prioritária, o mercado internacional, a exemplo da China, que, entre 2018 e 2019, enfrentou a peste suína africana e comprou  carne bovina do Brasil.

Segundo  especialistas, há chance de haver equiparação no valor das carnes de boi e frango nos próximos meses.

Redução na exportação

relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) aponta que as  estimativas para as importações de carnes bovina e suína  pela  China para 2023 são de queda de 19% e 8 %, respectivamente.

O USDA ainda reporta em seu relatório que os estoques de gado de corte em 2022 para 2023 devem intensificar um aumento na produção de gado e carne bovina no País.

Em 2023, as importações de suínos devem cair para 5 mil cabeças, devido aos menores preços domésticos de suínos após os ajustes na cadeia de suprimentos no País.

A recuperação dos estoques de suínos da China — que já estão em nível 20% acima do pré-epidemia da peste suína africana, em 2019 — vai começar a prejudicar também as exportações brasileiras de carne bovina já a partir do quarto trimestre, tirando um importante suporte para os frigoríficos nacionais.

Fontes: Valor, Embrapa, Acaps e especialistas consultados.

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