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Entre os diversos setores afetados pela inflação, que resulta no aumento de preços de mercadorias, o café não fica de fora. Desde o início do ano, a segunda bebida mais consumida pelo brasileiro (atrás da água) a sofreu alta de 110% no preço.
A disparada no preço, já sentida pelos consumidores, foi confirmada pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), que também registrou queda de 14% no consumo da bebida, em novembro.
Além da inflação, uma série de fatores desde o início da pandemia contribuiu para encarecimento da bebida ao consumidor.
De acordo com presidente do Centro do Comércio de Café do Espírito Santo, Márcio Cândido Ferreira, a pandemia, acontecimentos naturais e a alta do dólar afetaram diretamente a produção.
“Com a pandemia, houve uma procura maior pelo café, já que as famílias ficaram mais em casa. Entre 2020 e 2021, o café no Brasil vem enfrentando condições climáticas adversas também. Em Minas Gerais, por exemplo, houve estiagem de longo período e, como se não bastasse, teve uma geada importante, que foi a mais forte desde 1994”.
Márcio ainda explicou que, com esses fatores, a produção de café ficou em nível muito baixo. Na safra de 2020, o País produziu 68 milhões de sacas. Este ano, as colheitas do grão renderam 53 milhões de sacas. E para o ano que vem a perspectiva não é otimista.
“Ao mesmo tempo, essa dificuldade na produção de café afetou a safra deste ano e pode afetar as do ano que vem e de 2023, que deveria ficar entre as duas safras anteriores, mas ainda não está indicando essa recuperação”, disse.
Vale lembrar também que, por ser uma commodity, o preço do café é cotado em dólar, que também enfrenta uma alta, e consequentemente também contribui para o aumento do preço do grão.
“O preço é baseado na cotação internacional, segundo as bolsas de Nova Iorque e Londres. Então o impacto é geral, é na economia mundial”, concluiu Márcio.
Para o economista Ricardo Paixão, com o café mais caro e a redução nas receitas do trabalhador, o consumo da bebida acaba por ficar menor.
“O orçamento das famílias diminuiu ao longo desses anos, devido à inflação e reposição salarial abaixo da inflação, o que diminuiu o poder de compra. E isso reflete no consumo menor”.
Estratégia para segurar preço
Para tentar driblar a alta do preço do café que chega ao bolso do consumidor, a padaria Ki Sabor, de Nova Almeida, na Serra, está segurando o preço da bebida, mas repassa o valor para outras mercadorias, como forma de diminuir o prejuízo.
De acordo com o panificador da padaria, Gleydson de Oliveira, o café é a bebida mais pedida no estabelecimento e o cliente não quer deixar de consumir.
“Seguramos o preço, mas tivemos que repassar para outros produtos, pois o café é muito consumido aqui. Para o ano que vem a previsão é de aumento de novo. Então, vai ser difícil segurar”, ponderou Gleydson.