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Economia

Câmara vai votar mudança que pode reduzir imposto de 375 mil no Espírito Santo

Esse é o número de empreendedores no Estado beneficiados com ampliação do limite de faturamento, que será votada na Câmara

Câmara vai votar mudança que pode reduzir imposto de 375 mil no Espírito Santo
- Plenário da Câmara: votação

Última atualização

Mais de 375 mil microempreendedores individuais (MEI) e microempresas podem ser beneficiados no Estado pelo projeto de lei que tramita em regime de urgência na Câmara dos Deputados e que irá à votação.

A proposta prevê o aumento do teto de faturamento anual do MEI, que passaria de R$ 81 mil para R$ 130 mil. Na prática, isso significaria reduzir a carga tributária.

O número de beneficiados foi informado pela Secretaria da Fazenda do Estado (Sefaz). Ele é composto pelos mais de 320 mil Microempreendedores Individuais (MEI) e 55.644 contribuintes classificados como microempresas com receita anual de até R$ 130 mil em 2025.

A Sefaz explica que essas microempresas poderiam, em tese, migrar para o MEI, caso o novo limite seja aprovado. Mas alerta que nem todas as atividade empreendidas podem atuar como MEI.

Presidente do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES), Ricardo Paixão explica que poder estar enquadrado no MEI significaria redução de impostos, uma vez que, no Simples Nacional, a alíquota aumenta conforme o faturamento e pode chegar a 6% ou mais, dependendo da atividade. “Quem é MEI paga proporcionalmente menos, conforme cresce o faturamento”.

Entre os principais efeitos positivos da proposta está o incentivo à formalização de negócios, diz. Por outro lado, Paixão alerta para possíveis distorções: “Empresas podem fragmentar suas atividades e contratar MEI para reduzir encargos”.

Bernardo Butteri, analista de relacionamento do Sebrae-ES, explica que os maiores MEIs beneficiados serão os que já faturam próximo ao limite atual, pois terão margem adicional de R$ 49 mil para expandir os negócios. “Terão novas oportunidades de expansão e fortalecimento de seus negócios”.

A Federação das Associações de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte do Espírito Santo (Femicro-ES) também defende a atualização. “O teto está muito defasado”, afirma o diretor da entidade, Rodolfo Rodrigues.

Segundo ele, a medida pode ainda gerar impacto positivo no emprego: o projeto prevê a contratação de até dois funcionários — atualmente, o limite é de um.

Crescimento do negócio

“Todo mês estamos passando na trave”, conta a microeemprendedora Nathalia Cardoso Simões.

Ela abriu seu negócio, a Doce Nat confeitaria, em 2018 — coincidentemente, na mesma data em que foi o último reajuste do teto do MEI — e acredita que o limite atual não acompanha a realidade dos pequenos empreendedores.

“Com as vendas aumentando, ficamos a mercê de multas e outros custos”, detalha a confeiteira.

Para ela, o aumento seria uma mudança positiva que permitiria o crescimento do seu e de muitos outros negócios similares.

“O aumento do limite do MEI é uma mudança positiva que nós, pequenos empreendedores, já estamos precisando a muito tempo!”, afirma.

Entenda

Projeto de Lei Complementar (PLP) 108/21

aumenta para R$ 130 mil a receita bruta anual permitida para enquadramento como Microempreendedor Individual (MEI). A proposta, que tramita na Câmara dos Deputados, ainda autoriza o MEI a contratar até dois empregados.

Nu última terça-feira (17), foi aprovada a votação em regime de urgência. O projeto é de autoria do senador Jayme Campos (DEM/MT).

Segundo o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o tema será debatido e tratado com aprofundamento, antes que seja colocado em votação. “Daremos a oportunidade de todos os envolvidos se manifestarem e, no momento oportuno, com o amadurecimento que a matéria requer, traremos ao plenário”, disse

O que acontece agora?

O projeto foi proposto pelo Senado e sofreu alterações na Câmara, que incluiu a revisão dos limites do Simples Nacional. Caso seja mantido o texto proposto pelo Senado, o projeto segue para sanção presidencial. Se houver mudanças, o projeto volta ao Senado para nova apreciação.

Por que aumentar o limite?

mais empreendedores poderão continuar como MEI, sem precisar mudar para regimes de impostos mais complicados.

Isso dá mais segurança para manter e crescer o negócio, o que pode levar à contratação de funcionários e ao fortalecimento da economia local, segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

o instituto também afirma que, com o teto maior, cerca de 470 mil negócios que hoje estão fora do MEI poderão se formalizar.

Quanto isso vai custar?

Segundo a Consultoria de Orçamentos, Fiscalização e Controle do Senado (Conorf), o projeto teria um impacto financeiro estimada em mais de R$ 2 bilhões por ano. A estimativa foi realizada no Senado Federal, em 2021, durante a proposição do projeto.

Segundo o órgão, se o limite entrasse em vigor, haveria uma redução de receita de R$ 2,32 bilhões para o ano de 2022, de R$ 2,48 bilhões para o ano de 2023 e de R$ 2,64 bilhões para o ano de 2024.

Ao mesmo tempo, o economista Ricardo Paixão explica que o projeto poderia aumentar a formalização, o que, por sua vez, significaria ampliação da base de contribuintes. “O efeito fiscal vai depender de qual movimento é mais forte: a queda na arredação ou o aumento da formalização”, diz.

MEI

Por enquanto, o limite de faturamento anual do MEI permanece em R$ 81 mil para o ano, o que significa que pode faturar R$ 6.750 em média por mês.

A grande vantagem do enquadramento como MEI é a possibilidade de pagamento de carga tributária reduzida, por meio de um sistema de recolhimento único, de valor fixo, em comparação às alíquotas do Simples, que incidem sobre a receita bruta e são progressivas conforme faturamento.

O limite do faturamento dos MEIs está defasado desde 2018, segundo o Sebrae.

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