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Economia

Árabes investem bilhões em compra de empresas no Espírito Santo

Fundos árabes e asiáticos ampliam aportes em educação, saneamento, saúde e infraestrutura, mirando expansão de longo prazo no Espírito Santo.

Árabes investem bilhões em compra de empresas no Espírito Santo
- Campus da UVV, comprada pela Clariens Educação, do fundo Mubadala Capital, de Abu Dhabi: investimentos
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Gustavo Andrade

Jornalista formado pelo Centro Universitário Faesa, atua como repórter multimídia no jornal A Tribuna e portal Tribuna Online, com foco na editoria de Economia e produção de reportagens especiais. Escolheu a profissão por sempre gostar de escrever, além da paixão por esportes e música. Possui experiência também com assessoria de imprensa e produção de vídeos.

Última atualização



Empresas e investidores estrangeiros vêm ampliando sua presença no Espírito Santo, e novos aportes internacionais devem chegar ao Estado.

Os movimentos incluem a compra da Universidade Vila Velha (UVV) pelo fundo Mubadala Capital, de Abu Dhabi, já aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade); o controle de mais de R$ 10 bilhões em ativos de saneamento da GS Inima pela TAQA, também dos Emirados Árabes, e a participação de 15% na MedSênior detida pelo fundo Temasek, de Singapura.

Os negócios mostram que empresas e ativos capixabas entraram no radar de grandes investidores internacionais, inclusive instituições que trabalham com horizontes de longo prazo e buscam diversificar suas carteiras fora dos países de origem, destacou o economista e professor da Fucape Business School Eduardo Araújo.

“O aspecto mais relevante é o perfil dos negócios escolhidos. Educação médica, saneamento e saúde voltada à população idosa são atividades com demanda estrutural, receitas recorrentes, barreiras à entrada e possibilidade de expansão”

Ele afirmou ainda que o Estado acrescenta a esse cenário estabilidade institucional e fiscal, experiência com concessões, proximidade dos maiores mercados consumidores do País, vocação logística e empresas locais capazes de servir de plataforma para uma expansão nacional.

O Estado também tem localização estratégica, estrutura portuária, vocação para o comércio exterior, ambiente institucional estável, responsabilidade fiscal reconhecida e políticas consistentes de atração de investimentos, segundo o advogado tributarista e empresarial Samir Nemer.

“Reúne características muito atrativas para esse perfil de investidor. Setores como logística, petróleo e gás, energia, infraestrutura, saúde e agronegócio apresentam oportunidades alinhadas ao perfil dos investidores do Oriente Médio e também da Ásia.”

Nemer avalia que o movimento deve ganhar força nos próximos anos.

“Os fundos soberanos e grandes grupos empresariais do Oriente Médio vêm ampliando investimentos clobais como parte de suas estratégias de diversificação econômica, buscando ativos de longo prazo em setores como infraestrutura, energia, logística, saúde e tecnologia”

Relações institucionais para atrair mais capital

O movimento de atrair empresas árabes e asiáticas para investirem e fazerem negócios no Espírito Santo dependerá menos de uma atração espontânea e mais da capacidade do Estado de construir relações institucionais permanentes e apresentar uma carteira concreta de projetos, avaliou o economista e professor da Fucape, Eduardo Araújo.

“A aproximação com entidades como a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, as missões internacionais e o contato direto com fundos e grandes empresas são importantes para colocar o Estado no radar desses investidores”

A reforma tributária torna essa agenda ainda mais estratégica, à medida que os incentivos estaduais de ICMS forem perdendo espaço e o IBS passar a ser distribuído predominantemente pelo destino, lembrou Araújo.

Mais do que investimentos já anunciados, o advogado tributarista e empresarial Samir Nemer destacou que observa um crescente interesse de fundos e empresas do Oriente Médio em conhecer melhor o ambiente de negócios brasileiro.

“Tenho acompanhado esse movimento em contatos institucionais e acredito que o Espírito Santo reúne condições para captar uma parcela cada vez maior desse fluxo de capital, especialmente se continuar fortalecendo sua promoção internacional e a aproximação com investidores estrangeiros”

Saiba mais: investimentos árabes no Estado

Os investimentos árabes de maior repercussão no Estado são a compra da Universidade Vila Velha (UVV) pelo Mubadala Capital, de Abu Dhabi, já aprovado pelo Cade, o controle de mais de R$ 10 bilhões em saneamento da GS Inima pela TAQA, também dos Emirados Árabes, e a fatia de 15% da MedSênior detida pelo fundo Temasek, de Singapura.

Mubadala

A venda da UVV para a Clariens Educação, braço de ensino superior do fundo Mubadala, deu um passo decisivo na última semana com a aprovação do Cade.

TAQA

A TAQA passou a controlar contratos de mais de R$ 10 bilhões em saneamento no Espírito Santo após adquirir no ano passado a GS Inima, responsável pela concessão de 34 municípios e pelo projeto de Água de Reúso de Vitória para a Vale.

Temasek

O fundo soberano de Singapura Temasek adquiriu uma fatia de 15% da operadora de saúde MedSênior em 2022, em uma transação que abriu portas para a expansão da empresa capixaba em mercados nacionais como São Paulo.



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