Com 13 medalhas recebidas em eventos pelo mundo afora, incluindo duas na Feira Internacional de Exibição de Invenções de Genebra (Suíça), o “Oscar” dos inventores, o capixaba Marcelo Vivacqua, 56 anos, é o inventor brasileiro mais premiado no exterior.
Usando somente produtos naturais — papaína, do mamão; bromelina, do abacaxi; e ácido lático, do leite —, o médico veterinário por formação criou dois métodos inovadores para o setor. O primeiro, uma castração de bois não cirúrgica; o segundo, um medicamento que trata tipos de câncer em animais e que, segundo ele, poderia até mesmo ser testado e usado em humanos.
Marcelo explica que, quando o método de castração venceu o prêmio em Genebra, em 2011, o comitê de jurados, com base nas projeções de tamanho de mercado que o produto poderia alcançar, valorou a invenção em US$ 10 milhões (R$ 39,4 milhões).
Segundo o inventor, a ideia surgiu para substituir o método mais comum de castração manual, em que criadores de gado usam um canivete para esterilizar o animal. “É um processo medieval, sem anestesia. Como médico que sempre preservou pela saúde e bem-estar dos animais, nunca concordei com isso. Insatisfeito, desenvolvi uma injeção indolor e que ainda evita riscos do método tradicional, como hemorragias e infecções”.
Aprofundando os estudos, Marcelo desenvolveu, em seguida, um tratamento para câncer, usando os mesmos produtos orgânicos. Também em forma de injeção, ele conta que já tratou câncer de mama de gatas e cachorras, de uma forma bem mais barata que a quimioterapia.
Ele ainda afirmou que o processo poderia ser testado e teria sucesso no tratamento de mulheres vítimas da doença. “Se examinar, no microscópio, células cancerígenas de mama de uma mulher, uma cadela ou uma gata, você não consegue diferenciar. Só no exame de DNA. Certamente funcionaria para tratar câncer de mama em mulheres”.
Hoje afastado da veterinária, Marcelo não deixou o lado inventivo: ele possui a Associação Brasil Internacional dos Inventores, Cientistas e Empreendedores Inovadores (Abipir), para apoiar pessoas dispostas a desenvolver soluções para melhorar a sociedade. “Sou como um jogador de futebol que se aposentou e virou cartola”, brincou Marcelo.
