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FUNDO DE GARANTIA

Congresso vai decidir sobre novo FGTS com saque total e 2º imóvel

Propostas analisadas no Congresso permitem retirar todo o dinheiro ao pedir demissão ou usar valor para adquirir uma nova propriedade

Congresso vai decidir sobre novo FGTS com saque total e 2º imóvel
- Setor de FGTS da Caixa: estímulo ao mercado imobiliário com a possibilidade de comprar mais uma casa com uso do fundo de garantia

Última atualização

Poder sacar todo o dinheiro do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) quando pedir demissão do emprego ou retirar o valor para comprar um segundo imóvel são novas possibilidades propostas por dois projetos de lei. Ambas vão ser decididas pelo Congresso Nacional.

O projeto do deputado federal Laercio Oliveira (PP) propõe que o empregado possa sacar todo o dinheiro do fundo quando pedir demissão. Atualmente, ele só tem direito ao saque quando é demitido ou em caso de acordo.

“Essa diferença mostra a clareza de uma injustiça, permitindo que o polo do empregador exerça maior poder sobre essa relação de emprego”, diz o projeto.

O projeto do deputado federal  Marcel Van Hattem (Novo) visa  possibilitar ao trabalhador  sacar o dinheiro para aquisição de mais de um imóvel. Atualmente o dinheiro só pode ser usado na compra da primeira propriedade. O deputado argumenta que a     alteração    proposta “busca conferir aos trabalhadores maior autonomia na movimentação da  sua  conta”. 

Especialista em Direito do Trabalho, Luiza Simões destacou que o dinheiro no fundo não tem rendimento compatível com a inflação. Ela explicou que é a favor dos dois  projetos, que aumentam as possibilidades de saque. 

“O que me guia é a autonomia do cidadão de fazer o que ele quiser com o dinheiro dele, considerando que esse dinheiro está sendo defasado, já que o rendimento não é compatível com a inflação”.

 No caso específico do acordo previsto pela reforma trabalhista,  que possibilita que o empregado saque até 80% do dinheiro do fundo, ela ressaltou que mais uma vez o empregado fica em situação desfavorável.  “Se o empregado tiver algum problema com o empregador, ele não vai conseguir fazer esse acordo”.

 Já o advogado  trabalhista Gilvan Morandi, do escritório Teixeira de Freitas, é contra as duas iniciativas. Ele explicou que o fundo é utilizado pelo governo para investimentos em habitação, saneamento básico, infraestrutura urbana e saúde, por exemplo. 

“Sou contra esses projetos porque no próprio Direito se diz que o bem coletivo tem que  sobrepor o individual.  Se ocorrerem, essas mudanças vão afetar áreas sensíveis no País”.

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FGTS

O Fundo  de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) é um direito do  trabalhador brasileiro, que trabalha de carteira assinada, conforme assegura a Constituição. Na prática, é a soma dos recolhimentos de 8% do salário de cada empregado, que os empregadores depositam na conta de cada um, todo mês. A finalidade é assegurar ao empregado uma reserva para ser utilizada em casos como o de  demissão sem justa causa.

Taxa referencial

A taxa referencial  teve sua criação na década de 1990 com o governo Collor. O intuito era servir como uma referência para a economia e tentar corrigir a inflação, que era descontrolada.


Projeto:

Saque quando o empregado pedir demissão

Atualmente o empregado  só tem direito ao saque do FGTS  quando é demitido ou em caso de acordo, quando pode sacar 80% do fundo. O projeto do deputado federal Laercio Oliveira (PP) propõe que o empregado possa sacar o dinheiro do fundo também  quando o pedido de demissão partir dele.

Opiniões:

– Decisão unilateral  

“Sou a favor do projeto. A reforma trabalhista veio prevendo acordos extrajudiciais. Na prática, o empregado acaba pedindo demissão e fazendo esse acordo para poder sacar 80% do FGTS. Dessa forma, esse acordo  dá garantia para o empregado que se  tiver algum problema com o empregador,  não vai conseguir esse tipo de acordo.  Essa decisão não pode estar na mão do empregador”.

Luiza Simões, especialista em Direito do Trabalho.

– Direito coletivo 

“Sou contra. O governo destina o dinheiro do FGTS para investimentos em habitação, saneamento, infraestrutura e saúde.   Desde que começaram a possibilitar  saques emergenciais,  o valor que era destinado ao setor de saneamento, por exemplo,  caiu 40%. 

Em 2018 foram investidos 2,5 bilhões do fundo de garantia em saneamento. Em 2019, foi para 1,97 bilhão. Em 2021  passou para 1,36 bilhão. Se aumenta a possibilidade de saques, esses valores vão cair. Sou contra porque vai afetar áreas sensíveis no País”.

Gilvan Morandi, professor universitário e  advogado trabalhista do escritório Teixeira de Freitas

– Fim do corpo mole 

“Sou a favor. Hoje há trabalhadores quem fazem corpo mole ou não entregam o trabalho devido para que o empregado o demita, para assim poder sacar o saldo. Com essa mudança,  acaba  essa prática.  O trabalhador que tem o recurso guardado pode pedir demissão e sacar o recurso”. 

José Carlos Buffon Júnior, coordenador do Comitê Qualificado em Finanças Públicas do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef-ES)

 

Projeto:

Saque para compra de mais de um imóvel 

Atualmente o dinheiro do FGTS só pode ser usado na compra do primeiro imóvel.   O projeto do deputado federal  Marcel Van Hattem (Novo) tem como objetivo   possibilitar ao trabalhador  sacar o dinheiro para aquisição de mais de um imóvel.

Opiniões:

Autonomia no uso do dinheiro 

“Sou a favor do projeto. O que me guia é a autonomia do cidadão de fazer o que ele quiser com o dinheiro dele, considerando que esse dinheiro está sendo defasado. Ver esse dinheiro sendo defasado e não poder fazer nada ou ter de esperar algumas situações para usá-lo  é muito cruel”.

Luiza Simões, especialista em Direito do Trabalho.

Contrabalançar juros

“Parece ser muito benéfico sim. Se a gente olhar quanto o FGTS rende hoje, rende bem abaixo da inflação. O FGTS não passa de 4% ao ano. O Tesouro Selic está rendendo 13% ao ano. O cotista está perdendo dinheiro em relação à inflação e perdendo as alternativas de investimento que  tem hoje. 

Quem já tem saldo acumulado vai poder adiantar parcelas de financiamento e isso gera um grande alívio para o bolso do investidor. Uma entrada maior, acaba diminuindo as parcelas do financiamento. Deve ter um efeito benéfico de forma geral. Vai ser bem positivo para contrabalançar essa taxa de juros que estamos tendo hoje, deixando  a taxa de financiamento muito cara”.

Adriano Rondeli, especialista em Fundos Imobiliários e Renda Fixa da Valor.

Criação de empregos

“Sou totalmente a favor. Acaba fomentando o mercado da construção civil, gerando emprego e renda”. 

João Eugenio Modenesi Filho, advogado.

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