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Credores da Samarco, que está em recuperação judicial após a tragédia do rompimento da barragem de Mariana (MG), em 2015, apresentaram um plano para assumir o comando da empresa e voltar gradualmente com as operações.
O plano apresentado por um grupo de detentores de títulos deve substituir a proposta de reestruturação da dívida da Samarco, que foi rejeitada no mês passado.
O grupo de credores espera que a maior parte da dívida de R$ 24 bilhões seja convertida em capital. Já o total da dívida da mineradora, de acordo com o site do Valor Econômico, foi listado em R$ 50,5 bilhões.
O fundador da empresa de reestruturação Integra Associados, Renato Franco, que assessora credores, estima que estes vão ficar com cerca de 90% da empresa, após a reestruturação.
Além disso, os credores estão propondo antecipar prazos para aumentar a produção e acelerar a geração de fluxo de caixa.
Pelo plano elaborado, o executivo Tito Martins diz que a empresa pode dobrar sua produção em 2024, não em 2026, no plano dela, e chegar à plena capacidade em 2026.
“A empresa tem suas instalações em Mariana (MG) e Ubu (ES) em totais condições de operar”, disse. Desde o final de 2020, ela trabalha ao nível de 8 milhões de toneladas por ano.
O plano dos credores, chamado “Nova Samarco”, propõe mudanças relevantes na mineradora, controlada pela brasileira Vale e a australiana BHP.
Um ponto que deverá causar forte reação das duas controladoras é a capitalização de 38% dos créditos dos credores financeiros, tornando-os novos donos da empresa. Vale e BHP teriam menos de 5% do capital da “Nova Samarco”.
Em nota, a Samarco informou que tomou conhecimento do plano alternativo apresentado pelos credores financeiros no processo de recuperação judicial, e que a empresa fará uma avaliação minuciosa da proposta, além de estar aberta ao diálogo.
“Entretanto, a companhia está preparada para defender a segurança e a sustentabilidade das suas operações e tomar as medidas judiciais apropriadas para prevenir condutas e propostas que ameacem sua perenidade ou não considerem a importância da sua função social e ações de reparação”, diz trecho.
SAIBA MAIS
Plano dos credores
- O plano dos credores – denominado “Nova Samarco” – propõe mudanças relevantes na mineradora, controlada pela Vale e a australiana BHP.
- Um ponto que deverá gerar forte reação das duas controladoras é a capitalização de 38% dos créditos dos credores financeiros, tornando-os novos donos da empresa.
- Vale e BHP teriam menos de 5% do capital da “Nova Samarco”.
Dívida
- A dívida total listada foi de R$ 50,5 bilhões, sendo R$ 24 bilhões das duas acionistas, por recursos adiantados à Samarco.
Tragédia em 2015
- Em 2015, cidades mineiras e capixabas situadas na Bacia do Rio Doce foram impactadas após o rompimento da Barragem do Fundão, em novembro daquele ano.
- Na tragédia, 19 pessoas morreram.
- Os poluentes ultrapassaram a barragem de Santarém, percorrendo 55 km no rio Gualaxo do Norte até o rio do Carmo, e outros 22 km até o rio Doce.
- A onda de rejeitos deixou um rastro de destruição até o litoral do Espírito Santo, percorrendo 663,2 km de cursos d’água.
- Foram identificados ao longo do trecho atingido diversos danos socioambientais: isolamento de áreas habitadas; desalojamento de comunidades pela destruição de moradias e estruturas urbanas; fragmentação de habitats; destruição de áreas de preservação, entre outros.
Fontes: Valor Econômico e Durval Vieira, consultor empresarial.