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Economia

Dez atitudes que empresas mais gostam em candidatos

Flexibilidade, postura, simpatia, iniciativa e boa comunicação estão entre as características mais valorizadas Com a modernização do mercado de ...

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Flexibilidade, postura, simpatia, iniciativa e boa comunicação estão entre as características mais valorizadas

Com a modernização do mercado de trabalho, muitas coisas mudaram ao longo do tempo. Uma delas, que é unanimidade entre os especialistas em Recursos Humanos, é a necessidade de desenvolver as competências comportamentais.

Nesse sentido, A Tribuna levantou as 10 atitudes mais valorizadas pelas empresas e recrutadores nos candidatos a emprego: flexibilidade, inovação, simpatia, iniciativa, postura, boa comunicação, humildade, saber trabalhar em equipe, negociação e resolução de problemas.

A psicóloga Amanda Cei, da Kato Consultoria, destacou que a flexibilidade, por exemplo, é importante em todas as etapas do processo seletivo.

“Até mesmo na hora de marcar a entrevista, quem tem uma agenda mais flexível, mais disponibilidade de se adaptar aos horários da empresa, já pode sair na frente”.

Já o CEO da Heach Recursos Humanos, Elcio Paulo Teixeira, ressaltou a importância de profissionais que saibam gerenciar problemas, pois deixam de sobrecarregar os superiores.

“Obstáculos são parte da rotina, é preciso lidar com isso. Mas existem ainda pessoas que criam mais problemas, e não soluções. Essas não são bem-vindas. O diretor, ou gerente, não quer alguém que vai trazer tudo para ele resolver, mas, sim, quem consegue se virar por conta própria”, observou Teixeira.

Segundo a psicóloga e diretora da PsicoStore, Martha Zouain, é importante destacar que a escolha por quais competências serão mais importantes vai depender do perfil do cargo. “Para alguns cargos, algumas habilidades podem ser mais relevantes, mas é preciso estar sempre atento a todas”.

Apesar de muitas características serem parte da personalidade, que até mesmo já nascem com a pessoa, a gerente da Center Recursos Humanos, Eliana Machado da Silva Toniato, afirmou que é possível desenvolver essas competências, mas vai depender do esforço pessoal de cada um.

“O primeiro passo é se autoavaliar. Perceber quais são as habilidades naturais e quais que ainda não possui, para procurar soluções pontuais. Estar aberto a feedbacks é importante para essa percepção. As habilidades são possíveis de ser adquiridas. É um desafio pessoal, mas não é impossível”.

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Atraso tira chance de conseguir vaga

Gisélia Curry:
“A falta de pontualidade demonstra descaso e desinteresse. É um ponto que elimina muita gente”. Foto: Leone Iglesias/AT – 08/06/2017

O processo seletivo para uma vaga de trabalho é um momento crucial, onde o candidato precisa causar uma boa primeira impressão. Mesmo assim, muitos erros são cometidos, seja no currículo, nas entrevistas e em dinâmicas.

Uma causa imediata de desqualificação, segundo a diretora executiva da Curry Coaching, Gisélia Curry, é chegar atrasado ao compromisso.

A falta de pontualidade demonstra descaso e desinteresse. Se é assim no processo para conseguir um emprego, imagina no dia a dia do trabalho, quando já estiver contratado. É um ponto que elimina muita gente”.

Mesmo quem chega pontualmente deve tomar cuidado.

“Quem chega se arrastando, com preguiça, falta de energia, também não consegue a vaga. Parece que está ali no processo por obrigação”, explicou ela.

Isso também se reflete na apresentação: quem não passa uma boa imagem fica para trás na disputa.

“Não é beleza e nem gosto pessoal, mas sim falta de cuidado próprio, desleixo. Principalmente para cargos de liderança. Quanto mais alta a posição, maior a cobrança”.

Gisélia destacou que, mesmo se dando bem na entrevista, o candidato não deve esquecer que a empresa ainda pode avaliar as redes sociais e conferir se as informações estão batendo com o perfil.

Dependência

Roberta alertou para falta de ética. Foto: Andrea Sfalsin

A diretora da Kato Consultoria, Roberta Kato, relatou que até casos de candidatos querendo entrar na entrevista acompanhados de pais ou maridos costumam acontecer.

“Quando é menor aprendiz, primeiro emprego, a gente até entende ir com a mãe ou com o pai. Mas quando um profissional adulto pergunta se a mulher pode entrar junto, por exemplo, a impressão é de dependência. Ninguém quer um profissional assim”, afirmou Roberta.

Outro ponto que ela ressaltou foi a falta de ética e sigilo, principalmente sobre empregos em empresas anteriores, ou até mesmo sobre chefes e colegas.

“Às vezes, o candidato vai falar de uma experiência passada e começa a contar detalhes que seriam confidenciais. Nesse momento você já perde a confiança na pessoa. Fazer a contratação depois disso é praticamente impossível”, comentou a diretora.

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Ambição saudável é importante

Elias destacou valor da ambição. Foto: Antonio Cosme

Muitas vezes usada como uma característica negativa pelas pessoas, a ambição, na medida certa, é saudável – e até necessária.

“Apesar de muita gente confundir e achar que é algo ruim, uma pessoa ambiciosa é alguém que não se acomoda facilmente, o que é muito bem-vindo nas empresas”, afirmou o diretor da Acroy Consultoria, Elias Gomes.

Para ele, a forma como as pessoas enxergam essa característica acaba prejudicando o mercado e até elas próprias, por muitas vezes terem medo de ambicionar ou até se sentirem culpadas.

Para a diretora executiva da Curry Coaching, Gisélia Curry, o problema está em ser ganancioso, e não ambicioso, que na verdade deveria ser até uma necessidade.

“É importante ter profissionais ambiciosos. Ninguém quer funcionários que não querem crescer. As pessoas ambiciosas melhoram, se aprimoram, se esforçam mais”.

A característica é importante, principalmente, nas áreas de relacionamento com clientes, como vendas. “Quem consegue entender um vendedor que não queira bater meta?”, questiona.

Segundo ela, ter ambição nada mais é do que querer crescer e inovar. “E não há nenhum problema em ter ganhos financeiros quanto a isso. A pessoa ambiciosa sai do lugar, sai da sua zona de conforto”.

Gisélia ressaltou que não se pode confundir ambição com ganância.

“A pessoa gananciosa é quem passa por cima dos outros e não tem escrúpulos para atingir seus objetivos. Essas são atitudes ruins no mercado atual, que afastam as pessoas. Mas a ambição não, ela te empurra para frente”.

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1 Flexibilidade

Essa característica está sendo mais valorizada em tempos atuais de mudanças, onde empresas precisam adaptar o modelo de gestão de seus negócios ao mercado, precisando de pessoas que aceitem tais mudanças e adaptem-se mais rápido.

As pessoas rígidas, que não aceitam essas mudanças e insistem em trabalhar no método tradicional, comprometem a competitividade da empresa. Além disso, é importante no sentido comportamental, de entender que cada um tem um jeito de pensar, sentir e agir, para trabalhar com o outro.

2 Inovação

A capacidade inovadora é o item mais cobiçado entre as empresas. No entanto é a mais difícil de identificar. Muitas empresas apostam em dinâmicas de grupo na tentativa de avaliarem melhor o potencial inovador e criativo dos candidatos.

Mas a inovação não se limita a pensar em soluções para o trabalho. É preciso inovar também na forma de se relacionar com os outros, estar aberto a novas ideias, pensar fora da caixa e estar sempre atualizado.

3 Simpatia

Não existe processo seletivo que rejeita um profissional carismático e que transmite positividade em sua postura. Isso é fácil de identificar, observado no comportamento do profissional, na sua forma de falar, conteúdo do discurso e expressões faciais e corporais. Especialistas ressaltam que profissionais não querem colegas chatos.

4 Iniciativa

Também um item difícil de identificar, mas muito importante na condução das atividades operacionais de uma empresa. Os recrutadores identificam tais características mediante alguns comportamentos na entrevista, como: fazer perguntas sobre a empresa, levantar da cadeira primeiro, como cumprimentar, introduzir outros assuntos pertinentes, mostrar energia na fala e no olhar.

Está relacionado a como a pessoa se envolve com o trabalho. As empresas querem alguém que pegue algo e resolva, que identifica um problema e toma providências antes que dê prejuízo. Isso tira o peso do dono ou do empresário e soma para todos na empresa. Significa ir além do que está previsto na descrição do trabalho, não ficar apenas esperando ordens, mas, sim, ir atrás do que precisa ser feito, propor atividades e soluções.

5 Postura

Boa postura não é apenas sentar-se corretamente na cadeira durante a entrevista, mas mostrar profissionalismo, seriedade, passando uma postura madura e que deixa os recrutadores mais confortáveis na escolha do candidato. Uma boa postura passa imagem positiva e torna o profissional mais competitivo.

A postura também engloba a apresentação pessoal. Os avaliadores olham muito a higiene e o cuidado pessoal. Alguém que está melhor arrumado, no caso de um empate entre as competências técnicas, vai sair na frente para contratação.

6 Boa comunicação

A habilidade verbal é uma arma poderosa no mundo dos negócios. Independente da área de atuação, saber se comunicar e ser persuasivo são algumas das características que mais geram visibilidade a profissionais nos processos seletivos, assim como ajudam colaboradores em processos promocionais.

Isso engloba a capacidade de ouvir, compreender as mensagens e expressar ideias de modo claro, tanto verbalmente como por escrito.

7 Humildade

Ser humilde não é uma característica que pesa muito no processo de contratação. No entanto, gera valores positivos quando são identificados potenciais talentos que possuem conteúdo agregador e, mesmo assim, não ficam se vangloriando, mas buscando sempre evoluir.

O nível de segurança em excesso distancia os colegas, porque a pessoa se torna arrogante. É um cuidado necessário, porque é possível transmitir as mesmas informações sem passar essa ideia de superioridade. O candidato pode até ser muito bom no que faz, e é ótimo que saiba disso, mas não é uma boa ideia incluir no discurso.

8 Trabalho em equipe

Não se ganha campeonato sozinho. Trabalhar em equipe é um dos principais desafios das lideranças. Dinâmicas de grupo são sempre aplicadas em processos seletivos, onde o intuito principal da maioria é identificar os candidatos que melhor se desenvolvem no trabalho proposto em grupo.

Significa interagir com as pessoas de forma empática e colaborativa, inclusive diante de situações conflitantes, e demonstrar atitude positiva e um comportamento maduro e não combativo.

9 Negociação

Quem mantém clareza, persuasão, entusiasmo e convicção ao expor ideias e propor soluções satisfatórias às demandas apresentadas, principalmente em situações de divergência e conflito de interesses, chama atenção dentro da empresa.

E não só isso, negociação vai além de fechar um contrato ou uma proposta comercial: até mesmo nas pequenas coisas, como decidir quem vai fazer as atividades, buscando sempre soluções ganha-ganha e boa convivência para todos. É alguém que cria um equilíbrio necessário nas relações dentro do ambiente de trabalho.

10 Resolução de problemas

Gerenciar conflitos não se baseia apenas em controlar situações estressantes e melhorar o clima, mas também em achar soluções para os problemas geradores de conflitos. São poucos os profissionais e as lideranças que possuem essas características bem desenvolvidas. A tendência é sempre de “tapar o sol com a peneira”, “lavar as mãos” e delegar a resolutividade para outros.

Dinâmicas de grupo podem ajudar a identificar características que indicam potenciais geradores de conflitos, mas essa é uma característica que só é possível avaliar no dia a dia da organização e quando acontece algum problema que exige resolutividade.

Fonte: Especialistas em Recursos Humanos entrevistados.

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Análise de Fernanda Targa Borges, psicóloga, coach e diretora da Sintonia

Fernanda é psicóloga e coach

“Desenvolvimento pessoal é essencial”

“Boa parte dos desligamentos nas empresas ocorre por falta das competências comportamentais. Isso indica que muitos profissionais não estão priorizando o desenvolvimento de suas atitudes e condutas.

Por mais que uma pessoa tenha uma excelente habilidade técnica, ela, por si só, não é suficiente para o sucesso. Para que essas habilidades sejam colocadas em prática de forma eficiente, o profissional precisa saber como agir. É isso que determina o seu desempenho.

Diante dessa necessidade, as empresas têm buscado atitudes que agreguem valor. É essencial investir no seu desenvolvimento pessoal, e o principal meio para isso é o autoconhecimento. Através dele que se alcança maior domínio sobre seus comportamentos, atitudes e posturas”.

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Reportagem especial de Caroline Mauri para o jornal A Tribuna do dia 17/09/2017

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