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Nos períodos mais críticos da pandemia de coronavírus, trabalhar por meio de aplicativos e redes sociais era uma necessidade. Mas esse universo também é de oportunidades.
Até o fim do ano, pelo menos mais 10 mil profissionais vão passar a trabalhar dessa forma no Estado, conforme levantamento feito pela reportagem junto a especialistas.
Esses profissionais prestam serviços por aplicativos, vendem seus produtos ou serviços pelas redes sociais, ou até mesmo utilizam a ferramenta para vender produtos de outras empresas, como é o caso dos influenciadores digitais.
A especialista em pessoas e carreiras Gisélia Freitas destacou que a pandemia mostrou que trabalhar dessa forma funciona. “É possível empreender de qualquer lugar, sem fazer um grande investimento, desde que você esteja conectado”.
Ela pontuou que, na volta para o presencial, profissionais declinaram e preferiram trabalhar em casa, pela internet. “É algo que veio para ficar. Vai aumentar o número de pessoas trabalhando dessa forma”.
“As pessoas estão descobrindo novas habilidades, novas formas de ganhar dinheiro”, lembrou o diretor-técnico da Federação das Associações de Microempresas (Femicro-ES), Rodrigo Sangali.
Mas ter sucesso no mundo digital não é algo simples. Afinal, em um mesmo universo em que não há barreiras geográficas para a prestação de serviços e é possível conquistar vários clientes, o número de concorrentes é gigante.
É preciso saber usar as ferramentas que esse universo oferece de forma profissional para conseguir se diferenciar da concorrência, conforme a analista de relacionamento do Sebrae, Andréa Gama.
O especialista em marketing digital e fotógrafo Lucas Calazans trabalha com mentoria para negócios locais e destacou: “Um perfil feito de qualquer jeito pode atrapalhar muito mais do que ajudar. Isso afeta na percepção dos clientes sobre a qualidade da sua empresa”.
Ele explicou que muitos usam as redes sociais para lazer e adotam os mesmos métodos quando transformam essas ferramentas para trabalho. “É preciso mudar toda essa mentalidade, além de outras iniciativas, para gerar resultado”.
Venda de massas após perder emprego
A empreendedora Caroline Weber, 41 anos, perdeu o emprego durante a pandemia e resolveu criar a Mimo Cucina. Em casa, ela prepara e vende massas artesanais congeladas. Os cardápios semanais são feitos para consumo em finais de semana e datas especiais.
“Consigo trazer coisas diferentes para o meu público. Faço a entrega pessoalmente porque, além de ser uma comida muito delicada, gosto muito desse contato com os clientes. Eles acabam dando dicas extras para melhorar”, observa.
Ela vende as massas pelas redes sociais e contou que está enfrentando a timidez e aprendendo, fazendo cursos e estudando para melhorar sua comunicação. “Estou aprimorando aos pouquinhos”.
Identidade visual
O designer Paulo Nogarol, de 42 anos, é sócio de um estúdio criativo e vende seus serviços por meio das redes sociais. Ele trabalha com o desenvolvimento da identidade visual das marcas.
“Não existem fronteiras, nem limites. Temos clientes de diversas partes do Brasil e já tivemos oportunidades de entregar projetos para outros países. Não há necessidade de uma grande estrutura física para você desenvolver um bom trabalho, entregar uma solução”.
Reclamações permitem a chance de se destacar
Na internet, há sites e páginas de redes sociais voltados para receber reclamações de consumidores. E esse conteúdo pode ser uma importante fonte de informações para profissionais que querem se diferenciar.
É ali que conseguem entender melhor como o cliente se sente e como gostaria de ser atendido. Além dos pontos em que a concorrência está deixando a desejar e que pode se tornar um grande diferencial.
A consultora de empreendedores criativos Sandra Mara Selleste explicou que quem quer trabalhar com aplicativos, seja para transporte de passageiros, entrega de comida, entre outros, deve primeiro entender como a ferramenta funciona e ler as opiniões dos clientes que utilizam o aplicativo na internet.
“Munir-se de informações é importante porque vai construir a sua forma de trabalhar. E essas informações podem até te dar alguma pista de como você pode criar o seu diferencial”, ressaltou.
A especialista em pessoas e carreiras Gisélia Freitas destacou algumas áreas nas quais os profissionais têm mais possibilidades de prestar os serviços pela internet: recrutadores, empresas de consultoria, advogado, psicólogo, contador, especialista em marketing digital, professor particular, entre tantos outros.
“Tem oportunidade. Tem mercado e as pessoas estão compartilhando espaços, ferramentas e isso ajuda muito na diluição dos custos. Facilita muito para quem está começando”, destaca.
A analista de relacionamento do Sebrae, Andréa Gama, destacou que, ao mesmo tempo em que a rede social oferece oportunidades de crescimento, também é muito fácil um empreendedor “se queimar” por meio dela.
“Às vezes o cliente faz uma reclamação e o empreendedor é grosseiro na resposta. Esse mal atendimento deixa rastros”, enfatizou a especialista.
Ela explicou que não adiantar ter uma excelente plataforma se as pessoas que estão por trás fizerem um atendimento ruim. Disse ainda que mesmo por intermédio da internet, as pessoas querem se sentir mais próximas, por meio de um atendimento mais personalizado.
“As pequenas empresas têm condições de enviar uma mensagem para aquela cliente e falar ‘fulana, aquele remédio que a senhora usa está em promoção’”, exemplificou. Ela destacou ainda que “tudo que o empreendedor tem de conhecimento a mais, agrega valor”.
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Conteúdo exige trabalho contínuo
A produção de conteúdo para as redes sociais não é uma tarefa fácil. Exige dedicação, persistência e busca por conhecimento. Mas é por meio desse conteúdo que os empreendedores conseguem fidelizar seus clientes.
Especialistas apontam que as redes sociais não devem ser usadas só para vender produtos ou serviços, mas também para compartilhar conhecimento com os clientes, contribuindo para que eles tenham mais informações sobre o segmento.
O especialista em marketing digital e fotógrafo, Lucas Calazans, contou que, na prática, muitos de seus clientes descobrem-se talentosos, principalmente depois que entendem como tudo funciona.
“Gravar um vídeo divertido ou stories mais criativo costuma trazer uma leveza a todos, além de agregar a equipe envolvida e mostrar que todo esse esforço está trazendo resultados concretos”.
Ele destacou que é importante valorizar os vídeos. “Dados mostram que o vídeo tem um desempenho melhor no Instagram, se comparado a uma foto”.
Além disso indicou: “Com as fotos ou vídeos feitos, procure atualizar diariamente seu stories, mostrando os bastidores do seu serviço, produto ou empresa, sempre alinhado ao seu tipo de público”.
Quem trabalha com produtos artesanais, por exemplo, pode falar da escolha de cada material, cada cor, cada detalhe.
Mostrar bastidores atrai atenção
Ferramentas
Para trabalhar por intermédio da internet é preciso buscar as ferramentas adequadas, como um computador e um celular que atendam as necessidades, fone de ouvido e boa conexão com a internet.
A questão é que essa conexão precisa ser boa tanto para o empreendedor quanto para o cliente, para que a comunicação aconteça.
Conteúdo
A produção de conteúdo nas redes sociais deve ir muito além dos produtos ou serviços prontos.
Quem trabalha com produtos pode mostrar os bastidores da produção.
Quem produz biquínis de crochê, por exemplo, pode mostrar as opções de linhas, explicar por que escolheu determinadas cores, contar como aprendeu a fazer o produto artesanal, etc.
Já quem vende serviço, pode gravar um vídeo mostrando partes do processo. Apresentar um “antes e depois”. Falar sobre os aspectos que vão além da imagem. Quem trabalha com limpeza de sofás, por exemplo, pode mostrar o processo e falar sobre o cheiro, a sensação de estar em uma casa limpa.
Fotos e vídeos
Para fotografar, uma dica é utilizar sempre a câmera do celular e depois inserir a foto no Instagram. A qualidade normalmente é melhor.
E os vídeos devem ser valorizados! Dados mostram que eles têm um desempenho melhor no Instagram se comparado a uma foto.
Frequência
as redes sociais não devem ser usadas esporadicamente. É preciso um trabalho contínuo.
É preciso atualizar diariamente os stories, mostrando os bastidores, informações sobre seus produtos ou serviços alinhados ao seu público.
Preço
Um erro comum é a postagem de produtos sem o preço. E o consumidor acaba tendo que perguntar nos comentários e, muitas vezes, é respondido que será disponibilizado “Inbox”. Mas, para que tanto mistério em torno de uma informação?
Especialistas explicam que a rede social é como uma vitrine. Assim como na vitrine de uma loja se coloca o produto e o preço, o mesmo deve acontecer no mundo virtual. O cliente não tem que correr atrás dessa informação. Ela deve ser disponibilizada para ele já na postagem do produto.
SAIBA MAIS
Mundo conectado
Empresas que não estão conectadas praticamente não existem hoje. No Espírito Santo, o WhatsApp é a ferramenta mais utilizada pelos empreendedores.
De acordo com a 13ª Pesquisa de Impactos da Pandemia sobre os Pequenos Negócios do Sebrae, 90% dos empreendedores utilizam a ferramenta. Já o Instagram é utilizado por 65% deles, enquanto o Facebook é a aposta de 45% e loja própria é o recurso de 13%.
Pelas redes sociais
Venda de produtos
Quem vende produtos pelas redes sociais acaba não precisando investir tanto em uma sede física, podendo produzir em casa ou em um lugar cuja locação seja mais em conta.
Além de ter um bom produto, vender pelas redes sociais envolve a busca por uma série de conhecimentos. Desde saber como as ferramentas e equipamentos funcionam, como ter habilidade para a produção de conteúdo e o atendimento de qualidade, por exemplo.
Venda de serviços
Alguns serviços, como o trabalho de designer, contador, consultor financeiro, profissionais da tecnologia da informação, entre tantos outros, podem ser oferecidos por meio da internet, o que faz com que não tenham barreiras geográficas.
Isso tem o lado positivo, já que há uma infinidade de clientes que podem ser atendidos. Mas também há o lado negativo já que a concorrência é gigantesca. A não ser para aqueles profissionais que estão em falta no mercado global.
Imagem
Nesse universo também vêm se destacando os influenciadores digitais. Tratam-se de profissionais que produzem conteúdo para redes sociais e possuem um número significativos de seguidores.
São profissionais que conseguem influenciar, inclusive, na decisão de compra desses seguidores. Por isso, há empresas que contratam esses profissionais para divulgarem seus produtos ou serviços.
Se por um lado eles conseguem ganhar dinheiro, por outro seu ganho está diretamente relacionado a sua imagem. Assim, dependendo do seu comportamento, pode ser que de uma hora para outra deixe de ter tantos seguidores e, portanto, de ser atrativo para as marcas.
Aplicativos
Venda de serviço
Quem trabalha prestando serviços por aplicativo, como motoristas, tem vantagens como flexibilidade de horário e dia de trabalho. Além disso, mudam a rotina e a cada dia encontram clientes e trajetos diferentes.
Há questões como ter o próprio carro ou ter que alugar um; estar com a manutenção em dia, preço do combustível e desgaste do carro.
Também há empreendedores que ganham dinheiro oferecendo seus produtos ou serviços por meio de aplicativos próprios.
Fontes: Sebrae e pesquisa AT.
Fonte: Sandra Mara Selleste, Lucas Calazans e pesquisa AT.