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Economia

Escritórios brigam para comandar caso Mariana

Comitê rompeu com o Pogust Goodhead, escolheu rival para assumir os 420 mil clientes e levou disputa à Justiça inglesa

Escritórios brigam para comandar caso Mariana
- Lama vinda de Mariana em Regência, Linhares: Justiça inglesa decide em outubro qual escritório tem legitimidade

Última atualização



Uma disputa entre dois escritórios de advocacia para representar os 420 mil atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em 2015, pode mudar a representação do caso.

A Justiça inglesa vai decidir nos dias 5 e 6 de outubro qual dos dois escritórios tem legitimidade para representar integralmente os autores da ação.

Troca de comando no Comitê de Clientes

Em agosto, o Comitê de Clientes, composto por 17 representantes dos atingidos pela tragédia, decidiu por unanimidade substituir o escritório Pogust Goodhead (PG), atual representante, pelo Bailey Glasser International (BGI).

O motivo, segundo nota do BGI, foi a suposta constatação de “uma série de falhas relacionadas à gestão do processo e à comunicação com clientes e advogados parceiros.”

Disputa na Justiça inglesa

No último dia 2, o escritório PG entrou na Justiça inglesa contra o Comitê de Clientes contestando a legitimidade dele para definir a quebra de contrato com os demais atingidos.

A justificativa do PG é de que o comitê tem poder para decidir questões processuais, mas não de interromper o contrato. A afirmação é contestada pelo escritório BGI, que questiona a diferença de tratamento.

“Ao longo dos anos, o PG recorreu ao Comitê em diversas ocasiões (…). O escritório passa agora a contestar, na Justiça inglesa, a mesma autoridade que reconheceu ao colegiado desde sua criação”

Uma decisão de ontem da Justiça inglesa, enviada pelo PG à reportagem, aponta para a manutenção da representação do escritório ao universo geral dos atingidos até que o assunto seja julgado em outubro.

No entanto, a representação dos 17 integrantes do Comitê de Clientes já foi alterada, passando a ser feita pelo Bailey Glasser International, diz o escritório BGI. Eles, inclusive, já estão recebendo as notificações do processo.

Remuneração em jogo

Embora não estejam claros os pormenores do contrato firmado entre as partes, a questão deve colocar em jogo a remuneração pela ação.

“Geralmente os escritórios recebem após a vitória. A mudança põe em risco o retorno dos investimentos feitos pelo PG nesse período de representação”

O comentário é do advogado especialista em Direito Ambiental e Internacional Rhiani Riani.

Entenda

Julgamento

A BHP BIlliton, mineradora sócia da Samarco, foi condenada em novembro de 2025 na Justiça inglesa pelo desastre da barragem de Fundão, em Mariana, no estado de Minas Gerais.

O desastre ocorreu em novembro de 2015, quando aproximadamente 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro e sílica foram liberados no Rio Doce, deixando 19 mortes e destruindo por completo os distritos de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo.

Em maio, o Tribunal de Apelação da Inglaterra rejeitou, pela segunda vez, uma tentativa de recurso da mineradora BHP para reformar a decisão.

Os juízes consideraram que a BHP, sócia da Vale na gestão da mineradora Samarco, operava a barragem e tinha conhecimento dos riscos antes do rompimento, o que mostrava negligência, imprudência e/ou imperícia.

Com isso, foi mantida a Fase 2 do processo. Agora, na atual fase, a Justiça examina as categorias de perdas e as provas para quantificar os danos sofridos pelas vítimas e fixar os valores de indenização.

A audiência de julgamento desta fase está prevista para abril de 2027.

O que diz BHP e Samarco

Procuradas, as empresas afirmaram que não irão se manifestar sobre a disputa entre os escritórios. A Samarco preferiu reiterar o cumprimento das obrigações previstas no Novo Acordo do Rio Doce.



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