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Economia

Dólar dispara e já é vendido a R$ 5,21

A cotação do dólar bateu novo recorde nominal no País, com alta pelo décimo segundo dia consecutivo. Nesta quinta-feira (05), a moeda americana ...

Economista José Márcio alertou que o cenário que já está ruim para quem vai viajar ao exterior pode piorar

Última atualização

Economista José Márcio alertou que o cenário que já está ruim para quem vai viajar ao exterior pode piorar (Foto: Beto Morais — 01/04/2019)

A cotação do dólar bateu novo recorde nominal no País, com alta pelo décimo segundo dia consecutivo. Nesta quinta-feira (05), a moeda americana fechou o dia sendo cotado a R$ 4,65 na venda, com valorização de 1,54%.

Já o dólar turismo, que é comercializado pelas casas de câmbio, está custando até R$ 5,21 no Estado, no caso do cartão pré-pago. Nestes estabelecimentos, a moeda é mais cara pela incidência de impostos e outras taxas.

Para o economista e consultor de investimentos do Banestes José Márcio de Barros, com os recordes de valorização atingidos pela moeda, quem precisa viajar ao exterior não terá como escapar do maior custo, já que o cenário econômico não indica que o dólar sofrerá queda.

“Não tem saída, e o que está ruim pode piorar. Quem tem viagem marcada, vai ter que comprar o dólar em espécie. Estamos aguardando uma notícia boa, mas não tem nenhuma. Está muito mais para caminhar no sentido da continuidade da valorização do que o contrário”, alertou o economista.

Ontem, o Banco Central tentou conter a valorização leiloando três lotes de 20 mil contratos de swap cambial (oferta de dólar com compromisso de recompra), totalizando uma injeção de US$ 3 bilhões (R$ 13,8 bilhões).

Segundo José Márcio, entretanto, as intervenções não acalmam o mercado porque a incerteza sobre a possibilidade de um desabastecimento causado pela paralisação da economia da China, principal afetada pelo novo coronavírus, permanece.

“O que o empresário quer saber é se amanhã terá peças para reposição de máquinas, celulares, e outras mercadorias, e não há essa garantia”, avaliou.

Já para o ministro da Economia, Paulo Guedes, não há “nada de errado” com a cotação da moeda norte-americana. Segundo Guedes, a flutuação do câmbio é natural, e o novo patamar do dólar reflete uma mudança de modelo econômico, que inclui diminuição de gastos públicos e juros baixos.

“Lembra o câmbio flutuante? Que flutuava entre R$ 1,80 ou R$ 2,20? A flutuação dele agora é num nível mais alto: R$ 3,60, R$ 4,60. Não sabemos. É o câmbio flutuante. Só que ele flutua num patamar mais alto. É simplesmente isso”, disse o ministro.


SAIBA MAIS
Eletrônicos e vinhos mais caros


Novo recorde

  • O dólar registou ontem novo recorde de valorização no País, fechando o dia cotado a R$ 4,65.
  • É a décima segunda alta seguida da moeda, que acumula valorização de 15,99% desde o início do ano.
  • A valorização segue sendo causada pela crise global do coronavírus, que saiu da Ásia e já tem oito casos confirmados no Brasil, inclusive um no Espírito Santo.

Turismo

  • O dólar turismo, que é vendido em casas de câmbio, fechou o dia cotado a R$ 4,85. Entretanto, com a aplicação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e outras incidências, o valor nas casas de câmbio chegou a R$ 5,21 no Estado.

Efeitos

  • A alta do dólar encarece produtos importados, como eletrônicos, vinhos e outros.
  • O repasse para o consumidor, entretanto, depende do comportamento do mercado consumidor, a longo prazo.

Fonte: Especialistas ouvidos.


Risco-País tem maior alta desde Joesley

O risco-País brasileiro medido pelo Credit Default Swap (CDS) de 5 anos subiu 14,4% na sessão para 129 pontos. Essa é a maior alta percentual diária desde o Joesley Day, quando o risco-País subiu 29% e foi a 265 pontos.

A ocasião, em 18/05/2017, foi o pregão que seguiu a divulgação de uma gravação entre o então presidente Michel Temer (MDB) e o empresário Joesley Batista, quando a Bolsa caiu 8,8%.

O risco-País é um termômetro informal da confiança dos investidores em relação a economias.

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