O preço da carne bovina assustou os consumidores no ano passado, apresentando aumento de 26%. Agora, economistas afirmam que, assim como outros produtos como arroz e óleo de soja, a carne deve ficar ainda mais cara.
Atualmente a picanha já é encontrada custando R$ 199,90 o quilo, enquanto o filé mignon está a R$ 77,90 por quilo. Mesmo carnes de “segunda”, como a fraldinha, já são encontradas na faixa dos R$ 69 o quilo.
O economista Paulo Cezar Ribeiro Silva explica que, normalmente, o preço da carne fica mais barato após fevereiro, o que não está acontecendo com a pandemia.
“Vivemos um momento atípico. Somos o País que mais exporta o produto no mundo e mesmo assim estamos vendo os preços cada vez mais altos, por conta de uma falta do produto no mercado local”.
O economista Eduardo Araújo cita o alto custo na criação do gado como um dos motivos para os preços elevados da carne.
“A alimentação e os medicamentos dos bois costumam ser importados, houve um encarecimento nesses produtos. Além disso, problemas nas cadeias logísticas de distribuição por conta da pandemia e a alta no preço do combustível acabam refletindo para o consumidor porque o produtor repassa esse custo no preço final”.
Uma outra razão é o dólar, de acordo com o economista Ricardo Paixão. Ele explica que as exportações estão prejudicando o mercado interno. “Com o dólar em alta, e consequentemente a desvalorização do real, está valendo mais a pena para o produtor focar nas exportações. O consumidor local fica com uma mercadoria mais escassa, e, por tabela, mais cara”.
O presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), Paulo Mustefaga, chegou a citar em entrevista à revista Forbes que o preço do boi subiu 60%, e o setor está conseguindo repassar ao consumidor apenas 40%, e que a demanda diminuiu por conta da redução do poder de compra das famílias brasileiras.
Com isso, já há frigoríficos suspendendo operações nos países por conta de problemas financeiros.
A situação já está refletindo na inflação. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal índice da inflação no País, acumulou alta de 6,1% nos últimos 12 meses, e a projeção é que ele alcance um patamar próximo aos 8% no começo do segundo semestre.
Peixes e ovos viram alternativas
Se o preço da carne bovina segue subindo, a solução é buscar alternativas. De acordo com economistas, o consumidor deve optar principalmente por peixe e ovos.
Para o economista Paulo Cezar Ribeiro Silva, proteínas como frango, porco, peixe e ovos, apesar de terem apresentado alta no preço, ainda estão bem abaixo do valor do quilo da carne de boi, fazendo valer a pena a mudança.
“A tilápia e o cação são duas opções interessantes, mais do que o frango e o porco, por exemplo. O peixe está num bom momento porque após a Semana Santa, seu preço costuma cair”.
O economista Ricardo Paixão também cita os ovos e peixes, mas alerta sobre o risco de uma reação em cadeia na alta dos preços.
“São as melhores opções, mas pode acontecer o chamado efeito da substituição. O ovo vira a alternativa, por algum tempo funciona, só que aí a demanda pelo ovo sobe tanto que o preço começa a subir junto. Por isso, é bom não se concentrar num produto só”.
O diretor executivo da Associação dos Avicultores do Estado (Aves), Nélio Hand, diz que o aumento da demanda, somada à alta nos custos da alimentação dos frangos, está fazendo o preço dos ovos subir.
“Em um ano, o milho subiu 48%. A soja teve aumento de 77%. Nesse mesmo período, o ovo teve um ganho de 16%. Isso está trazendo dificuldades para o produtor. O custo está alto e o valor precisa de reajuste, o que já deveria ter ocorrido”.
Nélio prevê ainda que o possível aumento seria de 25% no preço, fazendo a caixa com 30 dúzias passar dos R$ 125 para R$ 156.
