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Economia

Empregados sem cafezinho e lanche por causa da inflação

Alta de preço, sobretudo dos alimentos, levou as empresas a reduzirem a frequência do café e até a orientar as equipes a levar a própria comida

Última atualização

Aquele cafezinho para recuperar as energias ou se manter focado, principalmente após uma noite não tão bem dormida, já não é oferecido com tanta abundância pelas empresas a seus clientes e empregados. E o motivo é o constante aumento de preços.

Para economizar, algumas empresas, de vários ramos de atividade, vêm cortando os lanches e reduzindo a oferta do cafezinho. Há até aquelas que cessaram a bebida gratuita durante o expediente, por conta da inflação, sobretudo a dos alimentos, que não cessa.  

Exemplo são o pão, o café e o açúcar, que penalizam a população e também os empresários, pesando no orçamento das companhias. Importante no intervalo de muitos trabalhadores, o café lidera o ranking das maiores altas no preço dos alimentos do ano passado. 

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),  o café fechou o ano passado com um aumento de 50,24% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, índice de inflação oficial). O açúcar refinado vem logo atrás, com alta de 47,83%.

A especialista em pessoas e carreiras, Gisélia Freitas, conta que muitas empresas começaram a “enxugar” seus custos operacionais ainda no início da pandemia, e tiveram de apertar ainda mais o cinto:

“Alguns funcionários se surpreenderam ao retornarem do home office. Tem empresas que cortaram utensílios descartáveis, pedindo aos funcionários que tragam seu copo de casa. O café deixou de ser feito três vezes ao dia, para ser apenas uma vez. Agora, cada um deve trazer seu lanche de casa.”

O presidente do Conselho de Relações do Trabalho (Consurt) da Federação das Indústrias do Estado (Findes), Fernando Otávio Campos, disse que a inflação afeta todas as empresas assim como qualquer cidadão. “As empresas precisam cortar os custos; e nas micro, pequenas e médias o esforço está também nas pequenas coisas.”

O diretor da Federação do Comércio (Fecomércio-ES) José Carlos Bergamin diz que as mudanças precisam ser dialogadas com o trabalhador. “Algumas empresas têm tentado não cortar aquilo que é da parte emocional do funcionário. É melhor estabelecer combinados para manter o clima. Na colaboração a gente sofre menos. Talvez, cortar só o leite, usar margarina ao invés de manteiga. No comércio, a satisfação do funcionário interfere nas vendas, por exemplo.”

Setor de bares e restaurantes segura preços por clientela

Indo contra o movimento de aumento dos preços que tem ocorrido em diversos segmentos do País, a inflação do setor de bares e restaurantes foi menor do que a dos alimentos e bebidas, seus insumos básicos. Para que isso ocorresse, o setor precisou segurar os preços.

Um levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística  (IBGE) demonstrou que no setor de bares e restaurantes, o aumento de preços foi de 0,28%, índice muito abaixo da inflação geral, que foi de 1,78% em abril. 

A comparação do aumento de preços na alimentação fora de casa consegue ser ainda mais significativa, quando analisada em comparação com seus insumos básicos, bebidas e alimentos, que tiveram aumento médio de 2,25%, ou seja, aumento quase 10 vezes maior do que nos preços dos cardápios.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Restaurantes, Bares e Similares (SindBares-ES), Rodrigo Vervloet, os estabelecimentos evitam repassar os aumentos nos cardápios, para não perder clientes. 

“A gente tenta enxugar os custos de funcionamento para não repassar os preços ao consumidor. Mas, em determinadas situações, a própria operação dos restaurantes força com que os preços sejam reajustados”, afirma Vervloet.

Empresários buscam formas para tentar driblar a inflação. “Fazem compra maior, muitos se juntam para fazer compras”, detalhou.

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