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No auge da pandemia, houve uma grande procura por vagas de emprego e baixa oferta por parte das empresas, o que resultou em contratações com salários menores. Agora, a situação começa a se inverter, e, segundo especialistas, os empregadores terão de oferecer salários mais altos em 2022 para evitar um “apagão” de profissionais.
“Como uma estratégia para tentar resistir à pandemia, muitas empresas fizeram de tudo para reduzir custos. Para isso, uma das medidas é demitir quem ganha mais e contratar com salários menores”, explicou a psicóloga e especialista em carreiras Martha Zoauin.
Ela apontou que, por estarem precisando de trabalho, muitos trabalhadores abrem mão de salário e benefícios, mas, frustrados, acabaram deixando os empregos.
“Empregadores que estão perdendo profissionais já começam a mudar a política de salários. Acredito que, quando passar o fim do ano, a maior parte das empresas vai voltar a oferecer melhores salários, a partir de 2022”, completou.
O especialista em RH Elcio Paulo Teixeira também diz que as empresas vão precisar aumentar os salários para sobreviver. “Agora há menos profissionais disponíveis que a oferta de vagas. Esse será o cenário nos próximos 12 meses, e as empresas precisam se adaptar.”
Essa possibilidade de faltar gente para trabalhar já acende um alerta nas seleções para novos empregados. Ao receber propostas de salários melhores, ou ver que o emprego não corresponde às expectativas, um em cada três profissionais aprovados para trabalhar em empresas do Estado desiste da vaga.
A cada 100 pessoas chamadas para a etapa mais avançada dos processos, 49 faltam, por já terem aceitado outra proposta.
“Metade dos candidatos chamados para entrevista de emprego simplesmente não aparece. É um novo ‘mindset’ (mentalidade) por causa da pandemia. Mas isso é de mau tom, deixar a empresa na mão depois de se candidatar. Isso traz consequências. O profissional pode não ser mais chamado em outras oportunidades”, alertou.
A empresa que oferece as melhores condições acaba ficando com o empregado.
“O mercado se transformou em um leilão de quem oferece mais remuneração e melhores condições de trabalho. Tanto para os cargos operacionais, como motorista, vendedor e carregador, como para cargos que exigem especialização, os profissionais estão podendo escolher”, frisou Elcio.
SAIBA MAIS – OFERTA PARA MENOR QUALIFICAÇÃO
Baixos salários
- Para reduzir custos e tentar sobreviver à pandemia, uma das estratégias que as empresas usaram foi demitir profissionais mais qualificados, que recebiam salários mais altos, e contratar empregados com menos qualificação, por salários menores.
- Isso era possível porque a oferta de profissionais era muito maior que as vagas disponíveis. Hoje, essa situação está se invertendo.
- Enquanto muitas empresas continuam com salários baixos, porque sempre encontram alguém disposto a trabalhar ganhando pouco, outras já estão começando a notar que estão sendo trocadas por firmas com pagamento e benefícios melhores.
- Para evitar ficar sem profissionais para trabalhar, será preciso aumentar novamente os salários, ou os funcionários podem ser “roubados” por outra empresa.
Desistência de vagas
- Um em cada três profissionais que são selecionados para uma vaga de emprego no Estado desistem com pouco tempo de trabalho, ou antes mesmo de começar a trabalhar.
- Entre os motivos, estão salários mais baixos que o esperado, falta de benefícios, resultados negativos em pesquisas sobre a reputação da empresa e a vontade de empreender.
- Durante a pandemia, muitas pessoas tiveram a necessidade de se reinventar, e descobriram que vale mais a pena trabalhar por conta própria. Alguns desistem de empregos tradicionais pela flexibilidade.
- De acordo com os setores do comércio e da indústria, algumas pessoas desistem de oportunidades por ter gastos altos com condução e creche, por exemplo, que não são cobertos por salários baixos.
Fonte: Especialistas entrevistados, Findes e Fecomércio-ES.