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Ciência e Tecnologia

Empresas dizem que vão recorrer à tecnologia com o fim da escala 6×1

Autoatendimento, IA e automação estão entre os investimentos das empresas para manter a produtividade com jornadas menores

Empresas dizem que vão recorrer à tecnologia com o fim da escala 6×1
- A pesquisa identificou que os setores mais dependentes de atendimento presencial
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Gustavo Andrade

Jornalista formado pelo Centro Universitário Faesa, atua como repórter multimídia no jornal A Tribuna e portal Tribuna Online, com foco na editoria de Economia e produção de reportagens especiais. Escolheu a profissão por sempre gostar de escrever, além da paixão por esportes e música. Possui experiência também com assessoria de imprensa e produção de vídeos.

Última atualização


Indústrias e empresas do Espírito Santo já mapeiam, analisam e colocam em prática mudanças para lidar com o fim da escala 6×1. A tecnologia é uma dessas estratégias, com o uso de automação e Inteligência Artificial (IA).

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou que uma das opções mais citadas por empresas foi o aumento dos investimentos em tecnologia de automação, de forma a reduzir a necessidade de profissionais.

No Estado, outra pesquisa, do Connect Fecomércio-ES, mostrou que quase um quarto dos empresários ouvidos citaram investimentos em automação.

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As empresas serão levadas a automatizar processos, eliminar desperdícios e aumentar a produtividade para compensar a elevação dos custos operacionais, avaliou José Carlos Bergamin, vice-presidente da Federação do Comércio do Estado (Fecomércio-ES).

“Esse movimento é inevitável: quem não ganhar eficiência terá mais dificuldade para preservar sua competitividade, investir, criar empregos e garantir a sustentabilidade do negócio”, disse.

Uma eventual mudança na jornada de trabalho pode contribuir para acelerar esse processo, mas não é a única razão para ele acontecer, apontou Paulo Baraona, presidente da Federação das Indústrias do Estado (Findes). “A transformação tecnológica hoje já faz parte do caminho de crescimento da indústria”.

A perspectiva de redução da jornada pressiona as empresas a manter produtividade e qualidade com menos horas disponíveis, destacou Frederico Comério, CTO e head de IA da Intelliway.

“Isso deve acelerar investimentos em automação, IA e redesenho de processos — não apenas para reduzir mão de obra, mas para eliminar tarefas repetitivas e ampliar a capacidade dos trabalhadores”.

Indústria, varejo, logística, atendimento ao cliente, alimentação e outros serviços de operação contínua devem liderar esse processo de automatizar, liberando profissionais internamente para outros setores, afirmou Comério.

Na própria Intelliway, a demanda por soluções de automação cresceu, contou Carlos Eduardo Brandão, CEO da Intelliway. “Tem soluções semiautônomas, com apoio de um profissional, e 100% autônomas. Em algumas situações, os profissionais não podem ser substituídos, mas a IA aumentada potencializa a produtividade”.

No setor supermercadista, por exemplo, uma das possibilidades é a expansão do número de self-checkout, segundo o superintendente da Associação Capixaba de Supermercados (Acaps), Hélio Schneider.

Demanda crescente

A VipPhone atende indústrias e empresas com plataformas de automação e mais negócios tem buscado investir nestes serviços, visando se organizar para redução da jornada de trabalho, contou o CEO da VipPhone, Cosme Perovano. “A demanda é crescente. Atendemos indústrias, comércios, serviços, clínicas e hospitais. Fazemos a parte de atendimento ao cliente. Nós trabalhamos com IA agêntica, que constrói processo na empresa e substitui determinadas funções”, explicou.

Investindo em automação

A QualiSaude pretende acelerar os investimentos em IA, segundo o CEO Flavio Cirilo. “Estamos implementando inteligência artificial em várias etapas dos nossos processos, independentemente do debate sobre a escala 6×1. Por quê? Porque isso facilita muito a vida do colaborador”.

Ele destacou que existem algumas áreas dentro da companhia que não têm contato com o cliente externo. “Nessas áreas, nosso foco é substituir atividades manuais por inteligência artificial ou robôs, para que possamos direcionar essas pessoas para funções de atendimento ao cliente. Atualmente, na QualiSaude, utilizamos muito robôs de automação e robôs de repetição de tarefas. Um exemplo é a análise e o cadastro de propostas”, disse Cirilo.

Produtividade maior

A Effettivo oferta ferramentas de automação para empresas e indústrias, e também já tem aumento da demanda por soluções tecnológicas recentemente, segundo o CEO Leonardo Tavares.

“Atendemos mais de 140 empresas, incluindo grandes grupos do Estado. A dificuldade de mão de obra também já impacta em decisões de implantar e expandir a automação nas empresas hoje. E o uso de ferramentas de Inteligência Artificial já aumenta a produtividade em 50% e até mais de 50%”, destacou.

Saiba mais

Os investimentos em automação e tecnologia foram apontados por 41% das indústrias como o segundo principal caminho para mitigar os impactos financeiros do fim da escala 6×1 e da redução da jornada para 40 horas semanais, conforme o levantamento da CNI.

O objetivo central dessa estratégia é substituir rotinas manuais e otimizar processos para diminuir a dependência de mão de obra direta, tentando reequilibrar os custos sem perder capacidade produtiva.

A pesquisa também identificou diferenças conforme o porte das empresas. Enquanto 49% das grandes indústrias afirmaram que investiriam em automação para compensar a redução das horas trabalhadas, esse porcentual cai para 29% entre as pequenas empresas.

Impactos

Questionadas sobre possíveis medidas de adaptação, as empresas apontaram o repasse de custos ao consumidor como principal alternativa, opção citada por 51% dos entrevistados. Em seguida, aparecem investimentos em automação, mencionados por 41%, e a redução de reajustes salariais ou promoções, indicada por 34%.

O levantamento mostra que 46% das empresas disseram que não manteriam suas decisões atuais de investimento diante de uma eventual redução legal da jornada de trabalho, enquanto 54% afirmaram que manteriam seus planos.

Pesquisa do Connect Fecomércio-ES

O levantamento mostra que 24,9% dos empresários do comércio do Estado ouvidos citaram investimentos em automação como uma das medidas avaliadas.

Outras alternativas citadas são o aumento de preços, que aparece como a principal estratégia, mencionada por 44,5% dos entrevistados. Na sequência, surge o ajuste das escalas internas (44%), redução do horário de funcionamento (23,9%) e contratação de novos funcionários (23%).

A pesquisa identificou que os setores mais dependentes de atendimento presencial e funcionamento contínuo são os que demonstram maior preocupação com a mudança.

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