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Economia

TotalEnergies vai investir no ES para armazenar poluente no fundo do mar

Projeto em Presidente Kennedy vai estudar como guardar CO₂ emitido pelas indústrias em reservatórios subterrâneos e pode abrir nova cadeia de negócios

TotalEnergies vai investir no ES para armazenar poluente no fundo do mar
- Imagem criada pela IA para representar a proposta do projeto de inovação
Foto de perfil de Rafael Guzzo

Rafael Guzzo

Rafael Guzzo Peres é jornalista formado pela Universidade Vila Velha (UVV) e graduado em Marketing Político e Comunicação Eleitoral pela Estácio de Sá. Foi colunista de Economia e Negócios da Rede Tribuna por oito anos, à frente da coluna Dia a Dia do jornal A Tribuna; e desde 2017 é editor de Economia, tendo assumido também a seção de Política em 2020.

Última atualização


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Um investimento da multinacional francesa TotalEnergies em Presidente Kennedy, Sul capixaba, pode colocar o Estado na corrida por um novo ramo de negócios ligado à indústria de baixo carbono.

A empresa vai pesquisar como armazenar, de forma permanente, o dióxido de carbono (CO₂) emitido pelas indústrias em reservatórios geológicos no mar, iniciativa que pode abrir oportunidades para empresas capixabas de engenharia, transporte, monitoramento e outros serviços especializados.

O projeto será um dos destaques da Mec Show e foi antecipado pela gerente-executiva do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico do Espírito Santo (Sindifer-ES), Rubya Salomão. Segundo ela, além da pesquisa, a iniciativa pode formar nova cadeia produtiva voltada à captura e ao armazenamento de carbono.

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A TotalEnergies também recebeu aval da Agência Nacional do Petróleo (ANP) para direcionar R$ 871,1 milhões a um estudo no Brasil que avaliará reservatórios salinos offshore capazes de armazenar o carbono capturado pelas indústrias. O trabalho será desenvolvido pelo Laboratório de Geologia Sedimentar da Universidade Federal do Rio (Lagesed/UFRJ).

Nesta etapa, o projeto em Presidente Kennedy não prevê operação comercial. O objetivo é identificar áreas adequadas para o armazenamento e produzir as informações técnicas necessárias para futuros empreendimentos.

Segundo Rubya, o licenciamento ambiental está em andamento e já houve contratação relacionada ao projeto. Os detalhes da iniciativa e as oportunidades para fornecedores deverão ser apresentados na Mec Show. Ela destaca que o avanço dessa tecnologia não cria demanda só para empresas responsáveis pela captura do carbono.

Também serão necessários serviços de engenharia, transporte, armazenamento, monitoramento e outras atividades que podem formar novos elos da cadeia produtiva.

Rubya ressalta que muitas dessas contratações costumam ocorrer por meio de empresas especializadas, e não diretamente pelas grandes indústrias, ampliando as oportunidades para fornecedores.

O Estado pode ter espaço nesse mercado. Estudo da Empresa de Pesquisa Energética aponta o Norte do Estado entre as regiões brasileiras com potencial para o armazenamento geológico de carbono.

Pressão europeia acelera


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Produzir aço e outros materiais pesados sem emitir grandes quantidades de dióxido de carbono virou um dos principais desafios da indústria mundial. Como nem sempre é possível eliminar essas emissões, empresas passaram a investir em uma alternativa: capturar o gás antes que ele chegue à atmosfera e armazená-lo em formações geológicas profundas.

A tecnologia é conhecida pela sigla CCS, formada pelas iniciais, em inglês, de Captura e Armazenamento de Carbono. O processo consiste em separar o dióxido de carbono gerado na produção industrial, transportá-lo e injetá-lo em reservatórios subterrâneos, onde ele fica isolado por longos períodos.

Esse tipo de solução ganhou importância principalmente depois que a União Europeia endureceu as regras ambientais para produtos importados. O bloco passou a adotar mecanismos que atribuem custo às emissões de carbono incorporadas à fabricação de itens como o aço.

Na prática, quanto maior a emissão na produção, maior tende a ser o impacto sobre a competitividade das empresas que exportam para a Europa. Por isso, siderúrgicas e outros segmentos industriais intensificaram a busca por tecnologias capazes de reduzir sua pegada de carbono sem comprometer a produção. É nesse cenário que cresce o interesse por projetos como o da TotalEnergies.

Mudança exigirá novos produtos da indústria

A transição para uma indústria de baixo carbono exigirá mais do que novos investimentos. Na avaliação da gerente-executiva do Sindifer-ES, Rubya Salomão, as empresas também precisarão desenvolver produtos e soluções voltados às novas demandas da descarbonização.

Ela cita como exemplo os umbilicais, conjuntos de cabos e tubos usados em operações offshore. Segundo Rubya, esses equipamentos já vêm sendo adaptados para levar energia elétrica produzida em terra até plataformas marítimas, reduzindo o consumo de combustíveis fósseis.

Para a dirigente, o movimento tende a alcançar diferentes segmentos da indústria metalmecânica e elétrica. A expectativa é de crescimento da demanda por novos materiais, projetos de engenharia, processos de fabricação e sistemas de controle.

As empresas que conseguirem se adaptar mais rapidamente terão melhores condições de disputar contratos ligados aos novos investimentos em descarbonização.

Entenda

O que será feito

A TotalEnergies vai estudar se reservatórios no mar podem armazenar, com segurança, o dióxido de carbono capturado pelas indústrias.

Por que isso importa

A tecnologia pode ajudar empresas a reduzir emissões e atender às exigências ambientais de mercados como o europeu.

O poluente será retirado do ar?

Não. O projeto trata do CO₂ emitido por indústrias, que é capturado antes de chegar à atmosfera.

Onde o gás ficará?

Em formações geológicas profundas sob o fundo do mar, capazes de manter o CO₂ armazenado por longos períodos.

Vai armazenar carbono?

Não. Nesta fase, será feita pesquisa para verificar as condições para o armazenamento.

Onde será o investimento no Estado?

O projeto citado por Rubya Salomão será desenvolvido em Presidente Kennedy, no Sul do Espírito Santo.


Tags ANP

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