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Economia

Espera de até seis meses para conseguir carro zero

As montadoras ficaram meses paradas por restrições causadas pela pandemia, e faltam matérias-primas como o aço. Por isso, carros e motos novos estão ...

Welber Gurtler está esperando há 90 dias por sua picape Fiat Strada. Por enquanto, está com seu carro antigo

Última atualização

Welber Gurtler está esperando há 90 dias por sua picape Fiat Strada. Por enquanto, está com seu carro antigo (Foto: Leone Iglesias/AT)

As montadoras ficaram meses paradas por restrições causadas pela pandemia, e faltam matérias-primas como o aço. Por isso, carros e motos novos estão demorando mais para chegar à garagem do consumidor.

“Dependendo do modelo, as montadoras estão levando até seis meses para entregar o veículo”, estimou Paulo Souza, presidente da Associação dos Revendedores de Veículos do Espírito Santo (Arives). Enquanto isso, o consumidor acaba obrigado a mudar seus planos.

“Estou esperando há 90 dias pela reposição da picape Strada. Minha sorte é que eu tinha indicado meu carro antigo como parte do pagamento, então não estou a pé. Mas estou observando que o modelo está se valorizando no mercado e, quando chegar, estará mais caro”, reclamou o administrador Welber Gurtler.

Se o prazo se estender demais, Welber pretende considerar outras opções. “No momento eu estou optando por esperar, para ter acesso à qualidade do carro novo, na cor que eu queria. Mas se demorar demais, vou fazer uma pesquisa nas revendedoras”, disse.

No caso dos carros da Fiat, o prazo de entrega tem sido entre 90 e 120 dias, de acordo com José Geraldo da Cunha, diretor do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Espírito Santo (Sincodives).

“Sempre tem aquele que desiste, mas na maioria dos casos o cliente está esperando. É uma situação atípica que deve se normalizar nos próximos meses. No caso da Strada, é um dos modelos mais vendidos, e faltam componentes para fabricação”, explicou Cunha.

Com a lista de espera pelos veículos, as concessionárias estão negociando valores simbólicos de entrada, para ter certeza de que o cliente deseja seguir com a compra. “A maioria aceita dar uma entrada em torno dos R$ 2 mil. O valor depende do modelo e é sempre negociado. Se o cliente desistir da compra, ele recebe o dinheiro de volta”, completou o diretor do Sincodives.

Para completar, um possível racionamento de energia no País pode adiar os planos dos fabricantes de zerar a fila de espera em todo o País. Só as montadoras de motos têm 100 mil pedidos na fila.

Usado chega a custar mais

Com a demora na chegada dos carros zero, alguns consumidores desistem de esperar e optam por um seminovo de disponibilidade imediata. E os preços de alguns modelos usados chegam a ser mais altos que os dos carros novos.

“O mercado de seminovos está muito aquecido. Por causa da alta procura, as revendedoras estão pagando cerca de 15% a mais pelos carros usados, que podem chegar a ficar mais caros que um zero quilômetro”, afirmou o presidente da Associação de Revendedores de Veículos do Estado (Arives), Paulo Souza.

Um exemplo é o Corolla Cross 2021. O modelo tem sido muito procurado e, por estar em falta, o usado pode ser vendido por R$ 10 mil a mais que o novo.


ENTENDA


Falta de peças nas fábricas

  • Os carros novos estão com atraso de entrega de até seis meses. Com a grande demanda e as interrupções na produção, causadas pela pandemia, faltam peças nas fábricas.
  • Consumidores estão optando pelos usados, e alguns modelos estão mais caros que os carros novos
Fonte: Arives e Sincodives

 

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