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Economia

Estudo mostra que 83 mil tem até seis trabalhos para sustentar família no ES

Para sustentar a família, 83 mil profissionais no Espírito Santo chegam a ter até seis fontes de renda diversas, entre empregos formais e informais, ...

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O mecânico Giomarcos Larangeira trabalha como churrasqueiro à noite. Ao todo, acumula seis trabalhos (Foto: Beto Morais/AT)

Para sustentar a família, 83 mil profissionais no Espírito Santo chegam a ter até seis fontes de renda diversas, entre empregos formais e informais, os famosos “bicos”, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O dado, referente ao último trimestre de 2018, preocupa. Isso porque, três anos antes, o IBGE registrou 38 mil pessoas no Estado com dois ou mais trabalhos. Desde então, o número cresceu além do dobro, ao passo em que a renda das famílias diminuiu.

É o caso do mecânico Giomarcos Larangeira da Silva, 32 anos, que acumula seis trabalhos, entre emprego formal e bicos, para sustentar a casa em que vive com a mulher e a filha de 4 anos.

“Fui demitido em 2015, por causa da crise. Além de mim, outros 3 mil prestadores de serviços foram mandados embora. Na época, eu já trabalhava como churrasqueiro à noite, porque só o salário como mecânico não era o suficiente.”

Após ser demitido, Giomarcos começou a fabricar pães de alho gourmet, mas também faz entregas na Grande Vitória, e, no final de semana, faz serviço de buffet. Quando surge oportunidade, atua ainda como pintor residencial e estampa camisetas. Segundo Giomarcos, viver com uma única fonte de renda é insustentável atualmente.

“Faço isso tudo para dar uma educação melhor para minha filha, mas ainda não consegui dar um plano de saúde para ela, por exemplo. Seria ideal encaixar mais alguma coisa, mas não consigo porque não sobra tempo.”

Uma rotina semelhante é enfrentada por outros 3,41 milhões de brasileiros, que buscam formas de renda extra por meio de preparo de marmitas, fabricação de doces, venda de cosméticos, serviços de motoboy, motorista de aplicativo, entre tantas outras funções.

“O brasileiro é um povo criativo, tanto que, em diversos rankings, estamos entre os países mais empreendedores do mundo. Apesar disso, e das infinitas possibilidades de renda extra disponíveis por aí, é preciso ter planejamento”, destaca o especialista em empreendedorismo e professor da Universidade Vila Velha, Rafael Galvêas.

Galvêas ressalta que empreender sem planejar acaba levando a erros, o que cria gastos desnecessários, e que, na maioria das vezes, são difíceis de quitar, principalmente pela própria natureza dos bicos, que não garantem renda fixa. “Mesmo sendo um bico, se você faz um planejamento, tem muito mais chances de dar certo.”

Situação se deve à redução da renda da população

A busca por outros empregos e “bicos” é cada vez mais comum e é motivada principalmente por conta da crise econômica vivida no País, e, segundo especialistas, por ora, não há previsão de mudanças neste cenário.

“É uma triste tendência. Os salários estão diminuindo e o trabalhador precisa complementar a renda. Mas, como as fontes de renda extra são, em sua maior parte, empregos informais, com rendimentos variáveis, o trabalhador acaba impedido de se planejar financeiramente”, destacou o economista Laudeir Frauches.

O especialista em empreendedorismo Rafael Galvêas destaca que são diversos casos de pessoas que vendem marmitas saudáveis, trabalham com aplicativos, ou oferecem serviços de beleza, por exemplo. “De forma geral, a população tem sido forçada a buscar opções para se sustentar. Daí o expressivo aumento do número de pessoas que têm dois ou mais empregos para se manter.”

Acúmulo de trabalho bate recorde no País

  • Em 2014, 45 mil estavam nessa condição no Estado.
  • Em 2015, o patamar mais baixo desde 2012, 38 mil pessoas tinham mais de um trabalho.
  • Em 2016, o índice voltou a crescer e 46 mil tinham mais de uma fonte de renda.
  • Em 2017, eram 62 mil.
  • Em 2018, foi registrado o patamar mais alto: 83 mil capixabas com mais de uma fonte de renda.
  • No Brasil, são 3,41 milhões de brasileiros em condição semelhante.

Fonte: IBGE.

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